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POLÍCIAS - TERMÔMETRO DA DEMOCRACIA

 Ronilson de Souza Luiz

   "Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” (Bertold Brechet)

   Visível e, no entanto, desconhecida, familiar e, todavia, estranha, protetora e, apesar de tudo, inquietante: a polícia inspira nos cidadãos das democracias modernas sentimentos ambíguos, resumidos nessas três oposições. Mas, antes de mais nada, o que é polícia? É assustador o elevado número de pessoas que desconhecem, por completo, minimamente como funciona o aparelho policial, quanto aos modos de organização e o controle externo a que está submetido. Trata-se de uma constatação reveladora, porque se os pesquisadores e críticos de plantão não estão familiarizados com as rotinas mínimas de um posto policial, de uma companhia operacional de policiamento e de uma delegacia de polícia ou não têm paciência e tempo para estudá-los -como podem comentá-los? Já é tempo de nossos sociólogos, cientistas políticos, antropólogos, enfim os pesquisadores das ciências humanas, se darem conta de que não tiveram a coragem necessária de mergulharem no emaranhado, à Michel Foucalt, que envolvem os aparelhos dos funcionários responsáveis por fazerem cumprir a lei.
   Há certamente uma relação direta entre a crítica ferrenha e as trevas do desconhecimento no que se refere às questões mínimas de polícia. Cabem a esses críticos a opção de que a esperança do mundo pode estar na revolta, que, etimologicamente, significa "dar meia volta", passando a dar às polícias o devido valor e relevância. Por isso, é importante que sejam divulgados os excelentes trabalhos realizados nas Unidades Escolas da Polícia Militar, a saber: Centro de Formação de Soldados, Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, Escola de Educação Física, Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, espaços de treinamento e formação, o que implica em gestão democrática e práticas curriculares participativas, propiciando a constituição de redes de formação contínua, cujo primeiro e mais importante enfoque é a formação dos soldados.
   Quando os debatedores falam em violência, devemos ter em conta, que implica intencionalidade, o que exige inteligência: razão pela qual os irracionais não são violentos, mas ferozes. Ninguém se iluda, todavia. Temos ante nós tarefa muito e muito difícil. Até porque, em sua célebre obra O mal-estar na civilização, como em outras, Freud procura demonstrar-nos que o processo civilizatório é intrinsecamente repressivo, o que põe a violência como constitutiva das civilizações.
   É papel fundamental do pesquisador abordar questões preementes ao funcionamento mínimo da vida, porém, o que notamos são teses e dissertações a cerca dos mais variados temas exceto sobre as polícias. Espero que o brilhante material disponibilizado pelo NEV- Núcleo de Estudos da Violência- USP, via Edusp, com patrocínio da Ford Fundation, possa despertar a importância que tem as polícias, hoje, no cenário mundial.
   Ao educador policial-militar e aos professores da Polícia Civil e Científica cumprirá como foi ensinado por Buber, propagar que o encontro humano coroa um momento de graça no qual havia alguém batendo pelo lado de fora, bem como havia alguém querendo abrir, pelo lado de dentro da porta.
   Como não existe ser humano apolítico, pois que nem os omissos logram sê-lo (omitir-se é também tomar posição política), principalmente o policial-educador deve ser alguém politizado; isto não significa que, como formador de opinião, ele esteja nomeado doutrinador das massas,  porém é fundamental que tenha consciência de que a atuação da polícia é de fato o termômetro do grau da democracia de um povo. Portanto, salvando-nos do naufrágio individualista, será necessário que voltemos a  conceber a vida como um complexo de interdependências, como a grande arena das fragilidades humanas necessitadas da solidariedade mútua. E lembremos, relendo a epígrafe, que nenhum tempo é tempo de desistir.

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