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A TERCEIRA VERTENTE
Álvaro Lazzarini
A entrevista de Ailton Alves Feitosa sobre a sua
fuga do presídio de Guarulhos com o uso de helicóptero revela, de modo
jocoso, algo que se percebia de algum tempo. O banditismo mudou seu perfil e
formou uma nova classe social lastreada na destruição dos valores sociais,
familiares e morais que a mídia operou nos últimos 20 anos. Em
especial a televisão, de forma avassaladora, destruiu moralmente a família,
a autoridade, a polícia e agora está destruindo até a história do
Brasil, instalando entre nós o reinado do "ninguém presta". Foi neste clima que cresceu aquilo que pode ser chamado de "a terceira
vertente da criminalidade", que não se restringe mais aos malformados
da teoria de Lombroso nem às vítimas do modelo econômico, os desvalidos,
que aliás continuam a aumentar.
Trata-se agora de uma terceira categoria: os deformados morais que acreditam
ter o "direito" de atacar os demais cidadãos, roubando-lhes os
bens e tirando-lhes a vida, como bem entenderem.
Eles se baseiam no que a mídia lhes ensinou. Já que ninguém presta, todos
em tese são bandidos. Ora ele, Ailton, é o bandido declarado, o bandido
assumido. Ele tem lado, como bem disse.
Mas o problema não pára por aí. Essa nova classe de bandidos, ao contrário
de antigamente, tem hoje o apoio dos seus familiares, que também foram
convencidos pela mídia de que ninguém presta. Antes, o filho ladrão era
até mesmo renegado e posto fora de casa pela família. Hoje basta ir aos
presídios para verificar as multidões que ali acorrem para dar seu apoio
moral aos presos e, quem sabe, levar-lhes informações e outros
"meios".
Estranhamente, essas multidões não são encontradas nas portas dos asilos
e dos hospitais. É significativo quando se vê um familiar negar-se a
declarar ao repórter na porta de um presídio os motivos da prisão de seu
parente com a frase: "Ah! sobre isso eu não falo!" Não fala
porque, evidentemente, apóia!
Contra essa "terceira vertente" a única solução é a cadeia.
Eles estão convencidos de que estão certos e não vão mudar. Aí está o
maior problema da segurança pública e o mais premente.
É certo que toda vez que um crime de repercussão ocorre, imediatamente,
alguns especialistas, que não são dos quadros policiais, mas que estão à
procura de notoriedade profissional em face da nova classe criminosa,
procuram tumultuar o raciocínio do povo jogando inúmeras propostas de
desmilitarização, unificação, desconstitucionalização, propostas estas
sistematicamente contra a polícia, tudo para lançar uma cortina de fumaça
no fulcro do problema que está nas brechas da legislação penal, incluindo
a Lei de Execuções Penais, e no sistema prisional.
É preciso entender que a pena aplicada ao infrator é para ser cumprida do
começo ao fim. Chega de benefícios que só fazem recolocar os meliantes
(ladrões, latrocidas, homicidas, narcotraficantes, etc.) nas ruas para
assaltar e matar, como demonstram os indicadores de reincidência.
Os norte-americanos, muito mais pragmáticos do que nós latinos, entenderam
o problema antes e encarceraram cerca de 1% da população, mais de 2 milhões
de delinqüentes. Se pensarmos bem, não é coisa anormal.
Convertido para o Estado de São Paulo teríamos cerca de 350 mil presos.
Temos cerca de 100 mil. As nossas vagas são de alta rotatividade em face do que pode ser comparado ao "queijo suíço"
que virou o sistema prisional em decorrência de uma Lei de Execuções
Penais tão benevolente que beira a irresponsabilidade.
Convém lembrar que há dois ou três meses se urdia, até mesmo, um indulto
de Natal que daria à população um enorme presente de grego soltando
milhares de condenados em todo o País.
Segurança pública tem solução. Proponho que comecemos pelo principal
ponto que é a aplicação integral da pena em regime fechado e
disciplinado.
Façam-se as leis para tanto. Construam-se cadeias suficientes e,
paralelamente, de acordo com o artigo 221 da Constituição Federal, que impõe
às emissoras de rádio e televisão rígidos princípios educativos,
culturais e informativos, promovendo-se a cultura nacional e regional, como
também o de respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família,
cuide-se da causa principal: a televisão, com o seu poder de penetração
nos lares, para que as nossas crianças de hoje não venham a integrar no
futuro "a terceira vertente". O restante é menos urgente.
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