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          QUANDO ATÉ A POLÍCIA TEM MEDO

                                          Gustavo Goulart

    
  
Um ruído suspeito, um movimento brusco à volta ou um desconhecido se aproximando mais rapidamente. Os sinais são suficientes para provocar a reação em policiais de plantão de madrugada em delegacias do Rio: os músculos se retesam e a procura pela arma é quase sempre imediata. Os policiais que confessam o susto também se dizem preparados para reagir. Desde que teve início a nova onda de ataques a policiais civis e militares, há duas semanas, o medo transformou delegacias de polícia e batalhões em locais ainda mais tensos, com reforço de homens e de armas.

   — Estamos apreensivos de verdade. E me sinto estressado por estar dobrando. Só soube que viria para cá no fim do dia. O pior é que vou trabalhar hoje também — reclamou um policial, no plantão noturno de uma das delegacias da Zona Norte da cidade.

   Desde o dia 3, quando bandidos atacaram um posto da Polícia Militar, em Irajá, matando um sargento, e metralharam a 27 DP (Vicente de Carvalho), foram dez investidas contra policiais. O último ataque ocorreu na terça-feira passada, quando bandidos dispararam contra um carro da polícia na Vila dos Pinheiros e atiraram num posto da PM no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. Os ataques já resultaram na morte de dois policiais e em pelo menos uma baixa por estresse.

   Numa madrugada da semana passada, repórteres do GLOBO percorreram as ruas — cada vez mais vazias durante a noite — e constataram que a tensão tomou conta de unidades das polícias Civil e Militar. Em alguns batalhões, como o 1 (Estácio), os PMs de guarda já não ficam mais dentro do quartel, mas na entrada, fuzil em punho. A delegacia de Vicente de Carvalho recebeu o reforço de quatro policiais de outras unidades nos plantões noturnos. Eles passam a noite armados com pistolas e fuzis M-16. Na porta, foi feito um bloqueio de carros para reduzir a sensação de insegurança. Mesmo assim, diante da possibilidade de novos confrontos, os policiais estavam em desvantagem naquela madrugada: pelo menos dois se sentiam cansados porque estavam dobrando.
Na 22 DP (Penha), que sofreu ameaça de invasão de bandidos no início do mês, o reforço é voluntário. Policiais da própria delegacia tomaram a iniciativa de se revezar no reforço dos plantões.

   — Há policiais com medo, mas são os mais novos. Os mais antigos estão aqui para o que der e vier. Aqui não tem trilho para circular “bonde” do mal — disse um inspetor de polícia.

   Pelo menos um dos três policiais que estavam de plantão na madrugada do dia 3 passado, quando um bando comandado pelo traficante André Luiz Fernandes, o Merran, metralhou a 27 DP (Vicente de Carvalho) e explodiu uma granada em sua porta, teve de receber atendimento psicológico. Segundo Lídia Celina dos Santos, diretora de interesse social da Coligação dos Policiais Civis, o susto foi tão grande que o policial entrou em pânico, sendo socorrido posteriormente.

   — Ele passou mal mesmo. Mas isso tudo é reflexo de uma situação ridícula a que os policiais estão sendo expostos por parte das autoridades. Ninguém se perguntou até hoje como vive um policial traumatizado. Ele não tem armamento, há falta de pessoal e os baixos salários contribuem para a sua desmoralização diante dos bandidos — disse Lídia, autora de uma pesquisa sobre a situação emocional dos policiais.
O coronel José Vicente da Silva Filho, pesquisador da área de segurança pública do Instituto Fernand Braudell, diz que a situação é preocupante e que “lembra o período de ação de terroristas no Brasil”.

   — Isso faz lembrar o fim da década de 60, quando atacavam policiais. A conseqüência é o surgimento de uma polícia mais vingativa. E, se ela está acuada, imagine a população. É preciso um trabalho de inteligência para mudar esse quadro.

   Ex-presidente da Associação de Familiares de Vítimas da Violência e atualmente integrante do Movimento Pela Vida, Vera Lúcia Alves disse achar que, agora, a polícia está na mesma situação da população: — Chegou a vez de a polícia sentir na pele o que nós sentimos há muito tempo. Ela agora está tendo que se proteger. Estamos à beira do caos.

   O psiquiatra Luiz Mário Duarte, ex-diretor do Hospital Moreira Costa, da Polícia Civil, revelou que até outubro do ano passado, quando deixou a unidade, costumava atender a pelo menos 15 policiais por dia, 70% deles vítimas de estresse por causa do trabalho. Na PM, chegou a haver a preocupação de implantar um programa de avaliação psicológica obrigatória para atender os 30 mil policiais. A tensão aumentou na semana passada, quando a polícia foi informada sobre um suposto plano de uma quadrilha de São Paulo, de enviar bandidos ao Rio para matar cem policiais.

 

 

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