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OS SOFISMAS E A NATUREZA DO ERRO

Alberto Afonso Landa Camargo

“Muito orador ou polemista ousado ‘arma’ a sua argumentação com essas verdades aparentes, esses falsos axiomas, dando como evidente por si mesmo, dando como indemonstrável aquilo que é, apenas, o resultado da sua presunção, da sua ousadia, ignorância, malícia ou insuficiência de argumentação” (Othon M. Garcia). 

A segurança pública continua sendo o principal tema na imprensa, nas conversas e até, nas reuniões familiares, estando o país acostumado a vê-la ser tratada retoricamente. Na prática, poucos são os resultados que satisfazem a população, que continua a reclamar medidas mais objetivas. É preciso que o verbo se faça carne, como no dizer bíblico, para que sejam finalmente contemplados os anseios do povo quanto à segurança pública.

Muito aprendi, quando na faculdade, sobre as falácias. Após, como professor de Lógica, ensinei aos alunos, elementarmente, que existem duas maneiras de errar, resultando isto ou do vício de forma – raciocinar mal com dados corretos – ou do vício de matéria – raciocinar bem com dados falsos. Ainda poderia existir o descomunal, que seria raciocinar mal a partir de dados falsos. Como cabe à Lógica mostrar que os erros decorrem de raciocínios ilegítimos ou viciosos, incursionei muito no campo dos sofismas, que se constituem em falsos raciocínios elaborados com a intenção de enganar. Não devem ser confundidos com o paralogismo, que pressupõe a boa-fé do orador ou polemista, eis que não é intencionalmente vicioso, não tendo, pois, o propósito de enganar ninguém. Como o assunto tratava da consciente e inequívoca intenção de induzir pessoas a erros, não me preocupava com os axiomas – aplicados normalmente à matemática - por que se constituem em princípios necessários e comuns a todos os casos, não precisando de demonstração, eis que evidentes por si mesmos. Minha preocupação maior estava nas proposições ou máximas comuns aceitas nas ciências sociais ou na moral, que assumiam, perante a habilidade e má-fé do orador, o caráter de axioma, visto que a argumentação, contendo rebuscado palavrório construído e amparado em gestos e expressões teatrais, terminava por convencer o ouvinte.

Os exemplos apresentados nas aulas eram de oradores e debatedores gravados principalmente em programas de televisão, que, com veemência e paixão, não tinham o mínimo constrangimento em desviar-se do assunto discutido e fugir do debate por não terem argumentos convincentes que amparassem suas teses. Substituíam-no por outro que, embora não pertinente, era capaz de comover, dado o tom apelativo para a emoção e a comoção. Desta forma, o outro debatedor e os ouvintes, desavisados e despreparados, terminavam por esquecer o assunto debatido, maliciosa e falaciosamente desviado para terreno diverso pelo artista da palavra com sua insuperável teatralidade. Quando isto não era possível em razão do conhecimento do opositor, o sofista tampouco se constrangia em alinhavar palavras que nada acrescentavam à própria afirmação e apenas amealhava argumentos já implícitos na declaração prévia – o que é conhecido por redundância – ou passava todo o tempo sempre dizendo a mesma coisa, habilmente, no entanto, com outras palavras – o que é conhecido por tautologia.

Nunca fui avesso à eloqüência, mas com a relativa praticidade adquirida no aprendizado e no ensino da Lógica, sempre recomendei a importância do senso crítico nas pessoas, para não caírem nas armadilhas dos sofistas, que muito falam sem nada acrescentar à própria declaração e argumentam falaciosamente induzindo os desavisados a admitirem como verdadeiro o que ainda está em discussão. Assim, se quisermos melhorar de fato a segurança pública, é preciso discutir pragmaticamente o discurso, eliminando a veemência e a paixão que nos desviam dos seus verdadeiros problemas.

 

 

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