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A SOCIEDADE E SUAS CULPAS 

Alberto Afonso Landa Camargo 

Apesar da opinião dominante, sou contra a maioria dos que escrevem sobre o assunto e insistem em culpar a sociedade pelos crimes que a cada dia aumentam no Brasil. Não aceito tampouco este convívio atual com o sistema de márquetim que toma conta da imprensa anunciando diariamente que aparatos pessoais e materiais da polícia atacando cidadãos em barreiras são a solução para a segurança pública.

Já dizia um experiente professor que tive quando eu ainda engatinhava na polícia, que “a escolha por ações repressivas com grande aparato policial é a confissão de que falhamos na nossa missão primordial de prevenir o crime”. A correção da afirmativa do velho mestre está a demonstrar que apesar da eficiente propaganda das ações e dos conseqüentes aplausos populares, não têm sido estas suficientes para conter a sanha criminosa. Basta ler jornais para ver-se passeatas clamando por mais segurança em Teresópolis, encarte jornalístico do Menino Deus reclamando do abandono policial, agente sendo obrigado a ligar diretamente para uma delegacia porque o 190 e o 197 não atendem, ladrões furtando motocicleta da própria polícia, bandidos que furtaram uma caixa eletrônica em São Leopoldo, assassinato de homem de 26 anos na Capital, dois tiroteios com três mortes no Beco Treze no Bairro Mário Quintana, populares que prenderam um bandido e aguardaram por mais de uma hora até que a polícia chegasse e outros casos que não fazem parte do rol de crimes, mas que preocupam, como o do bombeiro solitário de Caçapava do Sul que tem ao seu dispor para combater incêndios na cidade unicamente um velho Opala de pneus carecas, um borrifador de água e um cachorro e o caso da família que vive dentro de um tubo de concreto em Porto Alegre. Dentre tantas outras coisas que contrastam com os anúncios bombásticos de que as coisas estão melhorando, só para ficar nos jornais dos últimos três dias e sem contar a informação do jornalista Luiz Zini Pires que informa na edição do último sábado, referindo-se a furtos e roubos de veículos, que “mesmo com as dezenas de operações da Brigada Militar, o número de ocorrências é igual ao mesmo período de 2006”. Pelo menos o segmento das seguradoras, sem dúvidas um dos mais lucrativos comércios, aplaude, de repente visualizando menores custos e mais lucros na atividade.

Como dizia, navego contra a correnteza por entender que a sociedade não é culpada pelos criminosos e seus delitos. Fosse assim, as regras legais e pressões de grupos destacados estariam corretas ao permitirem que bandidos torpes andem soltos praticando barbáries enquanto nos gradeamos em nossas casas.

Considerá-los como vítimas da sociedade é absolvê-los das suas culpas e interpretar que cada um de nós arrastou até a morte o menino no Rio de Janeiro enquanto os criminosos estariam absolvidos porque foram induzidos pela sociedade que manipularia seus cérebros e conduziria as mãos que dirigem automóveis que arrastam crianças amarradas a cintos de segurança e apertam gatilhos.

Não me sinto culpado de nada disto. No máximo me assumo com algumas responsabilidades por ter, um dia nas minhas lides policiais, poupado da morte criminosos que, quando soltos pelas benesses da nossa legislação e pela complacência da justiça e de tantos defensores dos direitos de bandidos em detrimento dos direitos da maioria honesta do povo, acabaram enlutando famílias e a própria sociedade que, no fim, acaba pagando pela sua omissão diante do medo e da covardia em recusar admitir que criminosos desse tipo precisam ser tratados mais severamente.

Refiz meus conceitos diante de tanta barbárie e lamento a falta de resultados diferentes por ter seguido esta mesma regra de conduta que me fez, no passado, acometido de ímpetos de humanidade, acreditar que todos são bons em princípio e que a culpa é sempre da sociedade.

Enfim, penitencio-me por um dia ter acreditado que bestas têm recuperação.

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