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OS
PROCESSOS ORGANIZACIONAIS QUE AGITARAM O SÉC. XX
Marcos
Antônio Santos
Resumo:
o artigo aborda os processos organizacionais, relacionando-os com as
novas tecnologias e suas conseqüências. Analisa a visão holística,
administração japonesa e estratégica, benchmarking, downsizing,
administração empreendedora, reengenharia e learning organizations.
Verifica, ainda, como esses processos se comportam no contexto da globalização
da economia e as transformações que estão ocorrendo devido a revolução
digital, provocadas pela era da informação. Por fim, examina a relação
de causas e efeitos que a aplicação desses processos nas organizações,
aliado às novas tecnologias, possui com o nível de desemprego atual.
Palavras-chave:
processos organizacionais, globalização, revolução digital, era da
informação, novas tecnologias e desemprego.
1
INTRODUÇÃO
Este artigo aborda os processos organizacionais
que agitaram o século XX, relacionando-os com as novas tecnologias e suas
conseqüências – impacto no sentido amplo, ou seja, a ênfase na idéia
da eficiência preconizada por esses processos nas organizações. Dentro
deste contexto serão analisados os seguintes processos: visão holística,
administração japonesa e estratégica, benchmarking, downsizing,
administração empreendedora, reengenharia e learning organizations.
Pretende-se verificar, ainda, como tais processos se comportam
no contexto da globalização da economia na aldeia global e as transformações
que estão ocorrendo devido a revolução digital - tecnotrônica,
provocadas pela era da informação. Por fim, examina a relação de causas
e efeitos que a aplicação desses processos nas organizações, aliado às
novas tecnologias, possui com o nível de desemprego atual.
Para atingir estes objetivos abordarei, isoladamente, cada
processo organizacional, enfatizando seus pontos principais que, acredito,
permitirão concluir a tendência atual das organizações neste cenário
globalizado que é o mundo moderno.
2 VISÃO HOLÍSTICA
Tem sua origem em 1926, quando o general sul-africano Ian
Christian Smuts utilizou este termo para denominar o fator operativo
fundamental referente à criação de conjuntos no universo, princípio
responsável pelo progresso. Costuma ser vista como sinônimo de holismo,
que é um movimento de idéias e não um corpo de doutrina. A teoria defende
que o homem é um ser indivisível, que não pode ser entendido através de
uma análise separada de suas diferentes partes. Busca uma sabedoria sistêmica
- visão holística, que é uma forma de perceber a realidade. A abordagem
sistêmica é o primeiro nível de operacionalização desta visão.
A característica da administração holística é a empresa não
ser mais vista como um conjunto de departamentos, que executam atividades
isoladas, mas como um corpo uno, um sistema aberto em contínua interação
com o ambiente. A síntese da administração holística é que os dois
lados do cérebro devem ser interligados (visão global) à não-matéria e
o tempo real (tudo deve ser feito ao mesmo tempo) e o fim da estrutura de
cargos (noção de autoridade extirpada).
O seu processo de implantação requer um diagnóstico da
empresa, análise do meio externo, identificação do núcleo da empresa,
estabelecimento da missão, reconhecimento dos valores da empresa e definição
das políticas da empresa. Propõe a integração de conceitos por outros
modelos de administração que repousam sobre a teoria sistêmica, que
remonta aos anos 50.
Apresenta como risco o fato da visão holística está mais
para uma forma de pensar, de perceber a realidade, do que para um modelo de
administração. Pode-se dizer que a missão holística e o enfoque sistêmico
se complementam, e que o pensamento holístico caminha lado a lado com a
globalização.
3 ADMINISTRAÇÃO JAPONESA
A origem da administração japonesa remonta a 1615/1868 –
era tokugawa, donde surgiu os
valores da sociedade japonesa – ocasião em que a sociedade feudal era
dividida em classes pela ordem de importância: samurais, lavradores, artesãos
e mercadores.
O surgimento da administração japonesa pode ser creditado à
busca de transferência de tecnologias das nações ocidentais mais avançadas,
tais como os Estados Unidos da América – EUA e Alemanha. No oriente ela
surge nos anos 50, depois da 2ª guerra mundial, na Toyota
Motor Co., idealizada pelo engenheiro Thichi Ohuo. A administração
japonesa nasceu no chão da fábrica, nos setores operacionais da
manufatura, com a filosofia de evitar qualquer tipo de desperdício - muda e de promover o melhoramento contínuo – kaisen.
A administração japonesa pode ser classificada como um modelo de gestão
fortemente embasado na participação direta dos funcionários:
produtividade e experiência voltada para a tarefa. Tem como objetivo a
harmonia e como filosofia oficial o confucionismo, que prega a benevolência,
adequação, sabedoria e obediência. A família é a sua unidade básica
mais importante, donde o coletivo prevalece sobre o individual.
Os pontos frágeis da administração japonesa podem ser
creditados à dependência da cooperação irrestrita das pessoas, busca de
consenso, exigência de paciência das atividades de apoio ao processo de
produção, diminuição do seu ciclo de vida, concorrência predatória ao
emprego vitalício, crescimento excessivo do número de produtos e
consumismo ambiental indispensável.
Em contrapartida, seus pontos fortes são a noção de
conjunto, preconização do processo acima da funcionalidade e a consciência
da unidade da inter-relação de todas as coisas e eventos. Para implementação
da filosofia da administração japonesa, no ocidente, alguns obstáculos
devem ser eliminados: implantar o planejamento e as transformações a longo
prazo, investir no ensino nas escolas de administração e parar de culpar
os empregados pelos problemas.
A crítica mais freqüente lhe dirigida é sua adoção por
empresas que se encontram em um outro contexto cultural, onde prevalece o
coletivo sobre o individual.
Suas características básicas
são: just-in-time,
kanban, muda e kaizen. E as
individuais podem ser descritas como: administração participativa, prevalência
do planejamento estratégico, visão sistêmica, supremacia do coletivo,
busca da qualidade total, produtividade, flexibilidade, recursos humanos,
tecnologia e padronização, manutenção, limpeza e arrumação, relação
com fornecedores e distribuidores, e cultura organizacional.
4 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA
A origem da administração estratégica vem dos anos 60, em
resposta à obsolescência dos tradicionais planejamentos a médio e longo
prazo, devido ao ambiente turbulento em constante mutação. Na década de
80 o planejamento estratégico ganha amplitude e dá origem à administração
estratégica.
A sua principal característica é o processo desestruturado e
sistemático – análise e síntese. Tem como objetivos o desenvolvimento
de valores, a capacitação gerencial, as responsabilidades da organização
e a interligação do sistema administrativo com a tomada de decisão estratégica,
tática e operacional. O objetivo maior da administração estratégica é
fornecer produtos e serviços adequados ao seu ambiente. Procura capacitar as pessoas a pensar estrategicamente, alcançando uma
mudança de comportamento das decisões. Preocupa-se com as mudanças do
ambiente externo da empresa, interessando-se pelo papel dos objetivos nas
decisões estratégicas (FISCHMANN e ALMEIDA, 1991).
Pode-se definir a administração estratégica como sendo o
processo de planejamento formalizado e de longo alcance, empregado para se
definir e atingir os objetivos organizacionais. Para implementar o
planejamento estratégico há necessidade de dividi-lo em etapas: definição
dos objetivos a atingir, identificação da conjuntura presente, análise
ambiental – objetivos e estratégias atuais, análise de recurso,
identificação de oportunidades e ameaças, determinação do grau de mudança
necessário, decisão da estratégia a ser adotada, implementação de
estratégia e mensuração e controle.
Os principais desafios a serem vencidos para implantação da
administração estratégica são: convencer a gerência a pensar em termos
estratégicos, garantir a resposta organizacional (acompanhamento e
controle) e enfrentar o ambiente.
A diferencia entre planejamento estratégico e administração
estratégica reside no fato do primeiro focalizar o ambiente externo e o
segundo, preocupar-se com todos elementos envolvidos no processo.
A crítica que lhe é
dirigida deve-se à dificuldade de prever a melhor estratégia a longo
prazo, em ambiente com alto nível de turbulência ambiental. Por fim,
requer novas competências e culturas gerenciais capazes de traduzir o
pensamento em ação estratégica.
5 BENCHMARKING
Sua origem está relacionada ao princípio japonês do dantotsu - processo de busca e superação dos pontos fortes dos
concorrentes, tendo sua primeira aplicação fora do Japão – enquanto técnica
que se pretende nova – ocorrido em 1979, nos EUA, mais precisamente na Xerox
Corporation. Suas principais
características são: a defesa do preceito que ninguém é melhor em tudo,
pretende detectar e copiar o que cada empresa tem de melhor – o que
significa economizar tempo, dinheiro e trabalho, partindo do princípio que
a comparação externa permite à administração estabelecer novos
objetivos e perceber como realizá-los, não bastando copiar, tem que
aprimorar o que foi copiado, fazendo-o ser melhor que o original.
As fontes de informações do benchmarking
são o acompanhamento de publicações específicas do setor, contatos com
profissionais da área, pesquisa e levantamentos setoriais. A sua diferença
entre o planejamento estratégico é que procura além de suas próprias
operações ou indústrias, fatores que influenciem a produtividade e os
resultados. Para tanto, avalia os pontos fortes e fracos de cada uma de suas
atividades, percebe quais são os líderes nas mais diferentes atividades e
adota os seus pontos fortes.
As críticas ao benchmarking
são: a cópia de práticas concorrentes pode encobrir pontos que não são
dignos de emulação, pode ajudar a empresa a alcançar o desempenho dos
concorrentes sem que revele prática para superá-las e, o fato de que nem
todas as empresas se acham dispostas a abrir suas portas para que seus
concorrentes possam examiná-las.
O seu mérito é
despertar para a realidade concorrencial empresas que estavam acostumadas a
ter seu “fundo” relativamente intacto, favorecendo a constante busca de
melhorias e inovações. O problema é que o benchmarking
pode restringir o pensamento aos padrões do que atualmente se realiza no
ramo de atividade da empresa. Consequentemente, ajudaria apenas a alcançar
os outros, não ultrapassá-los. A idéia central é progredir a partir do
estado atual de coisas, invertendo as vulnerabilidades ou pontos de observância
detectados, inovando continuamente.
6 DOWNSIZING
O downsizing –
diminuição dos níveis hierárquicos – surgiu como alternativa à reação
mais violenta contra a burocracia exagerada, ou seja, o enxugamento em massa
de pessoal, de forma indiscriminada e ineficiente. Não constitui um modelo
de administração, mas uma técnica que tem como objetivo a racionalização
da empresa, sendo sua meta global constituir uma organização o mais
eficiente e eficaz possível.
Sua meta é o desmantelamento da burocracia corporativa, como
forma de aprimorar o desempenho da organização. Envolve análise de custos
e evolução de indicadores, avaliação do valor agregado ao produto,
eliminação de posições e níveis hierárquicos, simplificação da
estrutura organizacional, análise da viabilidade da terceirização e
reavaliação dos critérios de análise do desempenho pessoal.
O downsizing é uma
proposta mais arrasadora que a reengenharia que lhe sucedeu, pois propõe a
eliminação de posições e níveis hierárquicos. Enfoca, principalmente
as pessoas e sua produtividade, mas não focaliza os processos, sendo um
tratamento de choque limitado. Portanto, o downsizing
se antecipa à reengenharia, pois uma empresa que o sofreu teria maior
probabilidade de sucesso em aplicar a reengenharia, posteriormente.
7 ADMINISTRAÇÃO EMPREENDEDORA
A origem da administração empreendedora advém do ano 1800,
quando o economista francês Baptiste Say definiu como entrepreneur
o indivíduo que transfere
recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um de
produtividade mais elevada e de maior rendimento.
O empreendedor está sempre buscando a mudança, reage a ela e
a explora como sendo uma oportunidade criada (nova e diferente, que muda e
transforma os valores). Não restringe seu empreendimento a aspectos econômicos,
convive com riscos e incertezas - inova (DRUCKER, 1987).
A inovação sugere alguns aspectos importantes, tais como os
impactos que ela pode provocar e a habilidade que o empreendedor deve ter ao
edificar negócios que geram empregos e a manutenção da inovação no seu
negócio, diferenciando e mantendo-o competitivo no mercado. A inovação
sistemática consiste na busca deliberada e organizada de mudanças, bem
como na análise sistemática das oportunidades que estas mudanças podem
oferecer para a inovação econômica ou social.
Como fonte de oportunidades inovadoras tem-se o inesperado, a
incongruência, a necessidade de inovação, as mudanças na estrutura, as
mudanças demográficas, as mudanças em percepção, disposição e
significado e o conhecimento novo.
A administração empreendedora considera os seguintes princípios,
como básicos para o espírito inovador: não programar a inovação, a
menos que seja necessária; deve haver um responsável, mas todos devem
sentir a sua necessidade; administrar a crise em pequenas doses; a única
maneira de inovar é tentar algo sempre; estimular a inovação não é
suficiente, é preciso ter liberdade para agir, libertar o gênio criativo
do trabalhador; focalizar a inovação na competitividade e; só quem manda
pode livrar a empresa da burocracia.
Relaciona, também, três caminhos para atingi-la: o primeiro
é os funcionários tornarem-se proprietários ou acionistas da empresa; o
segundo é os funcionários poderem possuir um pedaço da empresa – intrapreneurs
e; o terceiro é os funcionários serem donos do próprio trabalho que
realizam. A simples participação nos lucros também seria um caminho.
O intrepreneurship é
uma alternativa para resgatar a capacidade de inovação da empresa - única
forma de mantê-la competitiva. Propõe a completa reorganização do negócio
em função do trabalho, indicando a necessidade de reestruturação do negócio
em função dos seus processos reais componentes. O entrepreneurship
antecipa uma necessidade enfatizada posteriormente pela reengenharia - a
reestruturação do negócio em seus processos reais componentes, sem
operacionalizar a sua execução.
8 REENGENHARIA
Nasceu da necessidade das empresas se mostrarem mais adaptadas
ao seu ambiente, preconizando organizações mais flexíveis, receptivas e
inovadoras. Reengenharia significa abandonar procedimentos consagrados e
reexaminar o trabalho necessário para criar os produtos e serviços de uma
empresa e proporcionar valor aos clientes (HAMMER e CHAMPY, 1994). É,
fundamentalmente, repensar e reestruturar radicalmente os processos
empresariais para alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e
contemporâneos de desempenho, custos, qualidade, atendimento e velocidade.
Existem três grandes forças que obrigam a adoção da
reengenharia: assunção do controle pelos clientes, acirramento da concorrência
em todos os mercados e a freqüência e magnitude das mudanças.
É aplicada nas empresas com situações financeiras calamitosas, mas
que ainda não estão em dificuldades, mas cuja gerência prevê problemas
e, naquelas em seu pico de desempenho, porém, cuja gerência apresenta uma
postura agressiva.
Para implantar a reengenharia as organizações devem observar
as fases de estratégica, ativação, melhoria e redefinição. As organizações
que implantam a reengenharia observam as mudanças descritas no quadro 1 em
sua estrutura.
QUADRO
1: MUDANÇAS QUE OCORREM COM A REENGENHARIA
ANTES
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DEPOIS
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Departamentos
funcionais
|
Equipes
de processos
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Tarefas
simples
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Trabalhos
multidimensionais
|
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Pessoas
controladas
|
Pessoas
autorizadas
|
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Serviços
de treinamento
|
Serviço
de educação
|
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Desempenho/remuneração/atividades
|
Desempenho/remuneração/resultados
|
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Critérios
de promoção: desempenho
|
Critérios
de promoção: habilidade
|
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Valores
protetores
|
Valores
produtivos
|
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Gerentes
supervisores
|
Gerentes
instrutores
|
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Estrutura
hierárquica
|
Estrutura
nivelada
|
|
Executivos:
controladores de resultado
|
Executivos:
líderes
|
FONTE:
Adaptado de DAVENPORT, 1994.
As
principais mudanças provocadas pela reengenharia são: vários serviços são
combinados em um; os trabalhadores tomam decisões; as etapas do processo
ocorrem em ordem natural; os processos tem múltiplas versões; o trabalho
é realizado onde tem mais sentido; as verificações e controle são
reduzidos; a reconciliação é minimizada; o gerente proporciona um único
ponto de contato com o cliente e as operações híbridas prevalecem
centralizadas/descentralizadas.
A
sua proposta é enraizar definitivamente na cultura ocidental uma
“sabedoria sistêmica”: a visão
holística de mundo. Os processos que constituem a reengenharia são a
tecnologia de informação - terceira
onda, recursos humanos e fatores organizacionais.
A
reengenharia envolve níveis muito altos de incerteza e riscos, possuindo o
mérito de resgatar antigos conhecimentos sob uma nova abordagem. Seu
objetivo maior ou estágio final é a cultura empreendedora.
9
LEARNING ORGANIZATIONS
Learning organizations são organizações aprendizes, capazes de renovar e inovar continuamente, com o mérito de
enfatizar os fatores de sucesso das empresas que conseguirão avançar neste
início de milênio.
A
proposta da learning organization
é a ênfase no resultado através do raciocínio sistêmico, domínio
pessoal, conscientização dos modelos mentais enraizados na definição de
um objetivo comum e na disciplina do aprendizado em grupo.
Sua
idéia central é sanar as deficiências de aprendizagem, começando pela
sua identificação e pela posterior aplicação de algumas técnicas que
exercitem um raciocínio sistêmico, o que permitirá o desenvolvimento de
outras disciplinas.
Seus
críticos apontam como deficiências da aprendizagem as seguintes situações:
“eu sou meu cargo”; “o inimigo está lá fora”; a fixação em
eventos; a não conscientização de mudanças lentas e graduais e, o mito
da equipe administrativa.
Ao
mesmo tempo, falha quando busca aprendizagem contínua, que coloca o enfoque
sistêmico como sua base, que fica vazia de significado, caso a estrutura da
empresa não reflita também uma visão sistêmica do negócio. Portanto,
sua dificuldade de operacionalização reside no fato de efetivar o
pensamento sistêmico onde as estruturas organizacionais departamentalizadas
ainda são priorizadas, em detrimento dos processos.
A
learning organization parte da
condição básica da organização de um negócio em processos para mudar a
forma das pessoas: missão sistêmica da realidade - característica intrínseca
da cultura organizacional. Não defende a criação de um novo modelo de
gestão, simplesmente, resgata uma premissa básica: o aprendizado pela
experiência organizacional - fator para manutenção da competitividade
numa economia global.
10
A GLOBALIZAÇÃO
O
processo de globalização se faz sentir nas áreas financeira e comercial,
no setor produtivo, na perspectiva institucional e na política econômica.
Na área financeira provoca o aumento do volume e velocidade de circulação
de recursos – devido o fim das barreiras impostas ao capital – e temores
que podem alimentar especulações aumentando os riscos para as diversas
economias. Na área comercial faz crescer a homogeneidade das estruturas de
ofertas, causa mudança do foco das competições – de produtos para a
tecnologia de processos – provocando custos mais elevados em pesquisas e
desenvolvimento de produtos, além de competição em escala mundial.
Como
perspectiva institucional tem-se a semelhança de configuração dos
sistemas nacionais e a convergência nos requisitos de regulação. As relações
jurídicas entre empresas e Estado ficam cada vez mais uniformes.
Na
política econômica ocorre a perda de soberania, pois seus instrumentos
convencionais tornam-se inócuos. A agenda passa a ser determinada por
fatores externos: política salarial com menor grau de liberdade, porque a
competitividade requer a preservação de um nível mínimo da relação câmbio/salários;
política fiscal condicionada a certos estímulos à produção de bens
comerciáveis; déficit fiscal
limitado pelo nível das taxas de juros.
Temas supranacionais: meio ambiente, acordos de bitributação e monitoramentos de
empresas. Em um primeiro momento é afetada pela internacionalização das
economias - facilidade de transportes, insumos mais baratos, mercados
ampliados e contato com novas tecnologias, depois ocorre o processo de
integração regional - regionalização.
Tem-se,
portanto, que a globalização motivou
a ascensão ao poder das equipes comprometidas com a regulamentação e redução
do grau de intervencionismo nos mercados. As suas condicionantes motivadoras
foram a abertura do sistema financeiro dos EUA e a desvinculação da moeda
ao lastro-ouro, que estimulou a liquidez mundial e reforçou processos
semelhantes nos principais mercados financeiros. A queda da importância
relativa do setor bancário - provocado pela expansão do setor financeiro
em nível internacional e, o surgimento de novos produtos financeiros que
aumenta a margem de risco do sistema, pois os choques financeiros são mais
facilmente transmitidos.
O
processo de globalização provocou a redução de tempos e custos das
comunicações, a disputa pelo investimento externo a partir de atributos -
infra-estrutura, recursos humanos e gestão macroeconômica. Os agentes
requerem maior número de vínculos com outras empresas. A tendência
crescente de integração do processo produtivo, aumentam o grau de
complementaridade. Paralelamente, fez surgir uma nova forma de competição,
a política econômica associada ao conceito de Estado-Nação: a relação
econômica ocorre através de mercados.
A globalização, vista da
perspectiva das empresas, é então condicionada à maximização de benefícios,
padronização de produtos e desenvolvimento de vantagens competitivas.
Possui como peculiaridade o aumento da importância dos fluxos de
investimentos diretos externos. As decisões são tomadas a partir das
estratégias das empresas, sem levar em conta as políticas nacionais,
provocando o encurtamento do ciclo de vida do produto – devido à
constante mutação da tecnologia. As estratégias são definidas a partir
da identificação das demandas e a competição é baseada em vantagens
competitivas construídas. Consequentemente, ocorre o aumento dos custos de
pesquisa, conduzindo à busca de parceiros. A participação deixa de ser
acionária e passa a ser associativa, levando à redução dos custos. As
determinantes da estrutura de custos são atributos construídos e não mais
estáticos, pois, a estratégia competitiva maximiza a oferta desses
atributos.
O
mundo globalizado possui os seguintes paradoxos: o crescimento da importância
das políticas nacionais, por causa da competitividade requerer estímulos
localizados; a simultaneidade do processo de globalização e regionalização;
o processo negociador das condições em que terão lugar as transações
econômicas é disperso, devido à diversificação das linhas de produção
e a subcontratação mais fáceis de serem adotadas; a emergência gradual
de um mercado de trabalho internacional e; a individualização da produção,
em contraparte com a universalização do consumo.
As
políticas nacionais são elaboradas com base em novos indicadores: utilização
racional da liquidez – risco de dependência do financiamento externo sem
contrapartida de poupadores locais, convivência com o sistema financeiro
internacional cada vez mais irreversível e, criação de estrutura e
qualificação da força de trabalho.
O
perfil do Estado passa por um processo de reengenharia ou reorganização,
com sua ação voltada para a manutenção de níveis internacionais de
competitividade. O Estado passa a lidar com o passivo social formado pela
exclusão social. Isto provoca a necessidade de se definir um projeto
nacional, com a sua participação em mercados externos e investimentos na
busca de satisfação das necessidades da população.
A
reengenharia do setor público é necessária em virtude do
internacionalismo da economia global, do regionalismo dos blocos econômicos
e do tribalismo (criar raízes e conviver em comunidade), pois o principal
fator de produção hoje é o conhecimento (DRUCKER, 1997).
A
reengenharia do setor público visa, portanto, a elevação da produtividade
dos serviços e a criação de organismos transnacionais para enfrentar
desafios globais: desastres ambientais, terrorismo, drogas, criminalidade e
prostituição, armamento bélico, direitos humanos, etc.
11
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estamos
vivendo a era da revolução digital, onde as descobertas científicas são
traduzidas em inovações tecnológicas – revolução tecnotrônica. A
aldeia global é regida por novos paradigmas: sistemas flexíveis e enxutos
de produção e serviços; comercialização sob demanda; logística que
fazem os itens chegar no tempo certo; fornecedores externos; produtos
personalizados com qualidade total e falha zero. A transformação tecnológica
no instrumental da produção em escala, na organização da produção, no
sistema gerencial e na circulação, viabiliza análise, formulação,
tomada de decisões e execução em tempo real, através de locais de
trabalho e ação não só física mas, também, virtuais. O avanço da internet,
interligando pessoas ao invés de computadores ou meros bancos de dados. O
aproveitamento das “terras raras” essenciais para a fabricação de
novas tecnologias. Interfaces
científico-tecnológicas, que diluem as antigas fronteiras entre as áreas
do conhecimento, setores produtivos e atividades.
A
tecnologia da informação, por outro lado, provoca o surgimento de novas
vulnerabilidades. O alargamento e aprofundamento das defasagens entre as
economias do norte e as subsidiárias ou filiais no restante do planeta. O
trabalhador qualificado passa a ser um controlador, aplicador e manipulador
de comandos cibernéticos. A lógica da produção permite minimizar
estoques, mas as unidades produtivas vinculam-se através de sistemas de
intercomunicações, que podem falhar. Os clientes, fornecedores e
produtores são reunidos num processo dual - produtos e serviços são
contratados fora da empresa. Os empregos tornam-se obsoletos e irrecuperáveis
- desemprego estrutural na produção e nos serviços, buscando-se
trabalhadores profissionalmente mais bem preparados. Alteram-se
significativamente as relações campo-cidade.
Com
o fenômeno da globalização ocorre, também, a desterritorialização, que
é remoção ou reposicionamento de plantas industriais de um país para
outro, com imediatismo de investimentos monetários e falta de permanência
de grandes capitais. Há uma concentração espacial seletiva e acumulativa
do conhecimento e deslocamento da força de trabalho do setor produtivo para
os setores terciários e quaternários. Com isso, permite a existência de
trabalhadores móveis e desterritorializados ou unidades de produção e
pesquisa integradas, que podem se deslocar mobilizando cadeias produtivas
macrorregionais e até intercontinental.
A
desterritorialização traz consigo, ainda, a generalização do trabalho,
onde a distância redesenha os espaços urbanos e a fisionomia das cidades,
propiciando novos postos de observação do que seja público ou privado.
Altera os comportamentos sociais, deslanchando o associativismo virtual e a
militância eletrônica. Reforça a demanda por desburocratização e
miniaturização dos poderes do Estado. Muda os espaços de existência e do
potencial do indivíduo em sociedade e altera, radicalmente, as relações
capital-trabalho, percebendo a inadequação de métodos e estruturas
organizacionais do descompasso sociopolítico.
A
preocupação atual é se o setor de serviços absorverá as pessoas
deslocadas dos outros setores pelo downsizing e reengenharia. É o impacto da era da informação. Os níveis
de desemprego atuais não são fatos novos na história da civilização e
sim conseqüências da tecnologia que permeia a terceira onda: a era da
informação. São causados pelas cinco grandes forças da economia atual,
que provocam um equilíbrio dinâmico instável: o fim do comunismo,
deslocamento tecnológico, crescimento demográfico, economia globalizada, e
a era sem potências econômicas, políticas e militares dominantes. Aliado
a isto, temos o enfraquecimento das vantagens comparativas clássicas (mão-de-obra,
terra e capital) e a emergência do setor de conhecimento, que não
reconhece fronteiras. Merece destaque, também, a globalização econômica
e financeira. Por fim, o envelhecimento da população que compromete os
sistemas de seguridade social. Consequentemente, o choque destas forças
provoca o desemprego tecnológico - fenômeno macroeconômico.
Vale
lembrar de um pressuposto básico da teoria econômica, fazendo-nos refletir
que sem renda não há demanda. Economicamente, é o trabalho que suporta a
lei básica de mercado – a lei da oferta e da procura. Surge, então, como
desafio para o início do século a criação de um “capitalismo sustentável”:
sistema que leva em consideração o respeito pelo meio ambiente e deverá
evitar que se crie uma situação na qual apenas uma pequena elite altamente
educada tenha bons empregos, e todos os demais vivam inseguros em relação
ao trabalho. Não se sabe se a economia globalizada absorverá todos os
indivíduos economicamente ativos (cerca de 8 bilhões de pessoas) na aurora
do milênio, se os atuais índices forem mantidos.
A
proposta para minimizar o desemprego é a combinação entre a redução da
jornada de trabalho e investimento abrangente no terceiro setor - o social,
aliado à reformulação do contrato social (novo papel para o governo).
Este setor social já existe, faltando investimento, direcionamento
governamental e globalização da solidariedade, devendo ocorrer em todos os
níveis de organização da sociedade.
A
idéia de que todas as pessoas devem ter emprego é algo muito recente na
história, veio depois do movimento feminista. Mas, hoje em dia, não se
consegue imaginar nenhum país industrializado que tenha condições de ter
pleno emprego por muito tempo. Para enfrentar o fato de não haver emprego
para todos, os neotrabalhistas defendem o investimento na formação e os
neoliberais acham que o importante é tornar o país mais competitivo,
reduzir ao máximo os direitos sociais e acabar com o poder dos sindicatos.
Na concepção de OFFE (1998) isto é uma revolução, pois considera o
neoliberalismo um movimento revolucionário, que pretende, assim como o
comunismo planejou, formar o novo ser humano: um trabalhador rápido,
eficiente e capaz de sobreviver num mundo competitivo. Por definição, o
neoliberalismo quer um Estado que interfira quase nada na economia e, se
possível, cobre pouco imposto.
Trabalho,
desenvolvimento sustentável e taxa de natalidade são assuntos
intrinsecamente relacionados. A solução para o desemprego, neste início
de século, não será encontrada somente na geração de empregos através
da expansão industrial e do desenvolvimento de um país ou região. O
desemprego é um fenômeno macroeconômico provocado pelo avanço tecnológico
da era da informação. Nas empresas o trabalho continua existindo,
dependendo, somente, de quem o saiba fazer.
O
trabalho, então, passa a atender novas características: as pessoas não
serão contratadas para um cargo ou função, desempenharão determinado
trabalho condicionado a determinados resultados - fim do contrato.
O trabalho nas empresas será caracterizado por responsabilidades e confiança
mútuas (trabalho just-in-time).
Alguns
desafios são necessários para enfrentar o desemprego. A existência ou não
de oportunidades de trabalho para manter os níveis de emprego em padrões
aceitáveis. A existência de dois tipos de pessoas formalmente empregadas:
“trabalhadores do conhecimento e trabalhadores de serviços”. O dilema
que persiste é como estabelecer um elevado nível de colaboração com
pessoas que serão contratadas just-in-time.
A alternativa mais viável é a transparência nas relações do trabalho.
A
tendência é não mais existir um cargo ou função, mas sim a contratação
para executar uma tarefa condicionada a determinados resultados. As empresas
devem tornar-se competitivas para atrair as pessoas de cujo trabalho elas
dependem. As pessoas, também, devem tornar-se atraente para as empresas (empregabilidade).
As pessoas têm que administrar suas próprias carreiras sentindo-se no seu
próprio negócio, vendendo seu conhecimento e suas habilidades (autodesenvolvimento).
Conseqüência: as pessoas voltam a trabalhar por atividades, com na era pré-industrial.
Vivemos
a segunda mudança dos empregos, devido a estruturação das organizações
em cargo estar ruindo e não estar se sustentando no mercado globalizado.
Esse fato tem dificultado a agilidade de resposta ao mercado e não mais se
justifica diante da tecnologia da informação disponível. Por conseguinte,
os problemas de hoje são globais, assim como as escolhas sociais,
levando-nos a refletir sobre a necessidade de pensar globalmente e atuar
localmente.
Pode-se
dizer que, atualmente, as empresas estão buscando linhas alternativas de
redesenho organizacional, devido aos níveis da concorrência de mercado e,
principalmente, pela tecnologia da informação. As possibilidades de mudança
nos processos, decorrentes da inovação tecnológica e que levam à eficiência,
estão dentro e fora das organizações, envolvendo a gerência e a produção.
Portanto,
busca-se a melhor alternativa para redução de custos, riscos e incerteza
– inovação. As empresas estão tentando, racionalmente, se adaptarem
para manterem-se no ambiente moderno globalizado.
Abstract:
the article approaches the processes organizacionais, relating them with
the new technologies and its consequences. It analyzes the holistic vision,
Japanese management and strategical, benchmarking, downsizing, enterprising
management, it would reengenharia and learning organizations. It verifies,
still, as these processes if hold in the context of the globalization of the
economy and the hashings that
are occurring due to digital revolution provoked for the age of the
information. Finally, it examines the relation of causes and effect that the
application of these processes in the organizations, ally to the new
technologies, possesss with the level of current unemployment.
Key
words: organizacionais
processes, globalization, digital revolution, were of the information, new
technologies and unemployment.
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