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AS SALOMÉS DO SINDICATO

Percival Puggina 

O outdoor, que pode ser visto em vários pontos de Porto Alegre, exibe três cabeças servidas em bandejas. Sobre os rostos, crispados em expressões dementes, está inscrito o que cada uma representa: o parlamento, a imprensa e a polícia. Eis a "banda podre", na concepção do Sindicato dos Bancários, patrocinador da exótica campanha publicitária.

As mentes que a conceberam roncam o sono e o sonho de todo ditador: o silêncio da discordância mediante a castração da oposição, o controle absoluto da mídia, a polícia usada como algoz dos adversários de seu projeto político e como anjo da guarda de seus parceiros em quaisquer tropelias. E porque não conseguem o que desejam, expressam sua fúria jacobina cobrando pescoços com o mesmo despudor com que Salomé exigiu de Herodes Antipas a cabeça de João Batista.

O leitor, que é uma pessoa de bom senso, deve estar se indagando: por que diabos está o sindicato dos bancários gastando dinheiro com uma campanha assim? Qual o interesse da categoria em incluir tais gargantas em sua pauta de reivindicações? Para responder-lhe é preciso saber que quando se fala de sindicato dos bancários, ou dos metalúrgicos, ou dos professores, ou da CUT, ou do PT, ou do MST, ou do MPA, estamos falando de aguardente do mesmo alambique. Muda o rótulo mas o conteúdo não se modifica.

O comandante cubano Fidel Castro, tão venerado nos altares do totalitarismo gaudério, realiza há 42 anos o delírio expresso nesses outdoors. Se errar é humano, Fidel é divino. Diariamente ele lê os jornais de seu país para saber que jamais cometeu um erro. Vai ao parlamento para ser aplaudido e se ilumina com o brilho da mais inteligente unanimidade. Não perde uma eleição. Nas ruas, um exército de guardas de quarteirão e policiais, ostensivos e secretos, defendem o Estado contra o cidadão que verá o sol nascer quadrado e reticulado ante a menor divergência.

Encarna-se, lá, a "banda honrada" que tanto empolga, aqui, nossa democracia popular: um parlamento eunuco, uma imprensa servil, uma polícia política e um povo constrangido à docilidade dos currais.

Se você acha que não tem problema, então temos um problema ainda maior. Mas se você julga que temos um problema, cuidado, então, com as salomés: o próximo pescoço pode ser o seu. Os stakhtyites de Stalin já chegaram aos nossos outdoors.

 

 

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