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                                    BATAM EM RETIRADA!

                                                                                              Paulo Sant'Ana
                                                                                                                       
        Esses dias Zero Hora publicou uma reportagem em que mostrava diversos pontos de Porto Alegre em que as pessoas fumavam maconha livremente, sem se importarem com a curiosidade pública.

        Os nossos fotógrafos capturaram cenas em meio aos torcedores de futebol, nas arquibancadas de um dos nossos dois grandes estádios, a fumaça da maconha saindo dos pulmões dos aficionados e se espalhando pela torcida.

        Fuma-se maconha e montam-se seus charutos em todos os parques e esquinas, o costume se torna tão dominante que passa a ser considerado trivial pelos passantes e pela polícia.

        Quando o ilícito passa como um rolo compressor sobre a antiga reação que provocava, incorporando-se à rotina das ruas, nada há mais que fazer senão tolerá-lo e assimilá-lo como componente do cotidiano.

        Há visivelmente um estupro moral na atmosfera ambiental.

        Outra não é a impressão que se derivou daquele universitário que foi esta semana vítima de um seqüestro relâmpago e relatou à polícia e à reportagem de ZH o percurso do seu cativeiro.

        Três assaltantes se apoderaram dele na Avenida Osvaldo Aranha, logo após esperaram durante 20 minutos um ônibus, sempre com a vítima em seu poder.

        Embarcaram em um ônibus da linha Bom Jesus e eis aqui o seu incrível relato: “A parada estava lotada, mas eu não tinha como correr ou pedir socorro. Eles diziam que não custava nada me matar. Um deles tinha o revólver encostado na minha barriga. Eles me colocaram dentro do ônibus. Colocaram-me na janela e sentaram ao lado. Muitas pessoas que subiram no ônibus cumprimentaram os três e até viam a arma. Todos no ônibus sabiam que eu estava sendo assaltado, inclusive o cobrador. Parecia algo natural.O tempo todo eles diziam que iriam me matar, mas ninguém fez nada. Descemos e fui levado para um beco de uma vila, onde disputaram os meus pertences. Mas o pior foi quando fizeram a roleta-russa na minha cabeça. Passei a noite ouvindo o barulho do gatilho”.      

        Este relato declara solenemente o mais completo caos na segurança pública entre nós.

        Porque um rapaz é assaltado por três bandidos à vista de todos numa parada de ônibus da Osvaldo Aranha. Entra escoltado pelos assaltantes num ônibus, a arma é vista por todos os passageiros e pelo cobrador, viaja 30 minutos sob ameaças ouvidas por todos, não há qualquer reação. E até alguns dos passageiros cumprimentam os assaltantes, gente lá da vila, da turma, sabe como é...

        Ou seja, chegamos a um abismo: seqüestrado já é carregado em transporte coletivo, de massa!

        Sob as vistas de todos, o seqüestrado fica sob a mira do revólver numa parada de ônibus movimentada, durante 20 minutos, à espera do ônibus.

        Nenhum transeunte ou passageiro, entre as dezenas que perceberam e viram o seqüestro, teve qualquer reação.

        Isto quer dizer claramente que todos vêem essas cenas todos os dias e em todos os lugares de Porto Alegre.      

        Ou seja, o assalto e o seqüestro relâmpago acabaram se tornando tão entranhados no metabolismo citadino que ninguém mais liga para eles nas ruas, todo mundo segue seu destino com indiferença. Se fosse ligar, se fosse reagir, não chegaria um só dia no trabalho ou em casa no horário conveniente.

        Isso é a total desesperança da população na polícia. E a falência mais completa da autoridade e da lei.

        Entramos na cadência do silêncio, do faz que não viu, do salve-se-quem-puder!

        O salve-se-quem-puder quer dizer que todos, praticamente todos nós estamos morando aqui obrigados.

        Se pudéssemos, se nos fosse dada uma oportunidade razoável de trabalho e vida em outro lugar, fugiríamos correndo (eu tenho aqui comigo cerca de 50 e-mails de pessoas relatando como foram vítimas de assaltos!).

        Não há nada mais angustiante e amassador do que querer fugir da nossa terra, do lugar que nos escolheu ou que escolhemos.

        Mas quem puder que bata depressa em retirada! 

 

 

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