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REFLEXÕES

Fritz Utzeri
JB "on line" de 12/06/02

UMA - Juro que gostaria de falar de outra coisa. Contar causos, trazer de volta o Flor do Lavradio, o Magu, Seu Manoel, Otília, Lindalva, Apolônio, o Indignado, ou Rosalvo, o Despreocupado, mas não dá. A barra está pesada, merrrmão. Ser brasileiro chega a ser opressivo, dá falta de ar. Vivemos numa sociedade que derruba todos os limites e caminha celeremente para a selvageria. Estamos nos transformando num gigantesco Big brother. Será que não há ninguém disposto a clamar? Ou já é o deserto?

DUAS - Está na hora de nós, jornalistas, fazermos uma reflexão séria sobre nosso papel na sociedade. Num programa de rádio perguntaram-me se a TV, ao procurar mostrar cenas de sexo e drogas em bailes funk, sob a denominação de ''jornalismo investigativo'', não estaria saciando a vontade dos espectadores de ver essas cenas, atendendo a uma demanda do mercado? Aí começa o problema: atender a demandas de mercado. Isso é jornalismo?

Acho que estou na profissão errada há 35 anos. Droga! Como sou burro! Só não entendo uma coisa. Se for para investigar o mundo do sexo e droga para mostrar no Fantástico, por que perder tempo com bailes funk, onde todos sabem o que rola? Por que não arranjar logo um ''repórter investigativo'', de preferência com cara de gente fina, equipá-lo com câmera oculta e deixá-lo em certas festinhas da Zona Sul, na região serrana ou no litoral do Rio, ou ainda em São Paulo, Brasília & alhures, reuniões freqüentadas por socialites, políticos, empresários, artistas e mostrar como são esses encontros no que diz respeito a sexo, drogas & rock n'roll? E que tal usar essas mesmas microcâmeras em certas ''reuniões de negócios'' filmadas desse jeito? Ou em certos ''encontros políticos''?

TRÊS - O mundo da droga não começa nem acaba no Complexo do Alemão. Elias Maluco, Fernandinho Beira-Mar ou Celsinho da Vila Vintém não são os chefões do negócio. Sequer são gerentes. São apenas distribuidores de porte médio. O volume do dinheiro movimentado pela droga é maior do que o PIB da maioria dos países do mundo, 10 vezes maior do que o faturamento de uma multinacional como a General Electric. Se fosse cotada na bolsa de NY, a droga seria uma blue chip fácil, fácil. Achar que essa montanha de dinheiro é controlada por bandidos bárbaros, semi-analfabetos e sul-americanos é conto da carochinha.

Há múltiplas ligações da droga com os setores ''limpos'', ''respeitáveis'' da economia. Qual o jornal ou TV, no mundo, que resolveu fazer (aí sim) jornalismo investigativo e apurar isso a fundo? Nem o New York Times. O dinheiro das drogas é lavado em bancos legítimos, passa do ilegal para o legal em montantes que alcançam bilhões de dólares. Como na piada, não me surpreenderia nem se ''il papa no, ma um certo cardinale'' estivesse envolvido nesse business.

No plano mais terra-a-terra, numa bela reportagem do Tim Lopes no Cantagalo, um morador dizia que ali não há refinarias de coca, não se fabricam armas nem munições. ''Vem tudo de baixo.'' Está aí uma boa pauta para o nosso jornalismo investigativo em memória do bravo Tim. Como as armas entram no país nas barbas da Polícia Federal e das Forças Armadas? Como granadas de uso exclusivo do Exército vão parar nas mãos de traficantes? Até onde a polícia e as autoridades estão corrompidas? Eu ainda era foca e o tráfico começava a ensaiar seus primeiros passos. Um dia fui ao batalhão da PM na Barão de Mesquita e um capitão mostrou-me um mapa do Borel indicando: ''Aqui é a boca de fumo do Turco, ali é a de fulano, lá é a de sicrano''. Perguntei por que não iam lá e fechavam, se sabiam onde ficavam. Recebi um sorriso desdenhoso como resposta.

Será que a polícia não sabe que Elias Maluco mantém cemitérios clandestinos onde enterra suas vítimas? E as denúncias de que mais de 200 pessoas foram assadas no ''microondas'' (uma gruta no alto do morro) do traficante, incluindo Tim Lopes? Por que os principais encarregados do tráfico nos morros e favelas do Rio, presos em cadeias de ''segurança máxima'', continuam dando ordens de vida ou de morte? Quais são os advogados que participam ativamente do mundo do crime? Com a palavra, a OAB.

QUATRO - Recentemente, o mundo ficou chocado quando Daniel Pearl, jornalista do Wall Street Journal, foi seqüestrado no Paquistão e executado por bandidos. Exatamente o mesmo ocorreu no Rio de Janeiro com Tim Lopes. Vila Cruzeiro é tão perigosa quanto o lugar mais remoto e selvagem do Afeganistão. Lá, na Penha, há uma terra onde quem manda é o Elias Maluco, que dita e desdita a sua lei. A pena de morte existe, é aplicada largamente e agravada por tortura. O que faz esse Elias Maluco nas ruas? Leio nos jornais que, após matar oito policiais, seqüestrar e cometer toda sorte de crimes, esse indivíduo foi preso e SOLTO POR HABEAS CORPUS PORQUE AS MANOBRAS DE SEUS ADVOGADOS IMPEDIRAM O JULGAMENTO.

Quer dizer que se a defesa conseguir atrapalhar o andamento da Justiça, o réu, um assassino, será solto? Dá pra entender o nosso sistema Judiciário? Como é possível algo assim? Que leis temos no Brasil? Pessoalmente, sou radicalmente contra a pena de morte, mesmo dos Elias Malucos da vida. Esse assassino deveria ser trancado para o resto da vida. Sem regalias, sem celular, visita íntima, TV, condicional, redução de pena, nada! Trabalharia duro como aparece naqueles filmes americanos, quebrando pedras, abrindo estradas com macacão laranja, correntes nos pés e nas mãos e um monte de guardas com trabucos à sua volta e com ordem de atirar para matar se tentar algo.

 

 

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