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                       A INSEGURANÇA PÚBLICA NO RS

Mário Henrique Osanai

É com extremo pesar que escrevo estas linhas.

Apesar de trabalhar árdua e honestamente para a minha sobrevivência, não vejo os frutos dos impostos que, com muito sacrifício, venho pagando.

Os direitos que me são conferidos pela Constituição, me estão sendo negados pela incompetência administrativa e política de governantes que, com o meu voto, receberam essa incumbência.

Esquecem que, entre tantas almas ingênuas e já acostumadas ao sofrimento, existem eleitores e cidadãos conscientes.

Em minha atividade, como médico, atendo não apenas doentes.

Atendo vítimas resignadas de uma má administração, de uma gestão criminosa dos recursos públicos, de um genocídio velado e já aceito como inevitável.

Por que as pessoas que trabalham têm menos direitos do que as que lhes roubam o fruto de sua labuta? Por que as pessoas que respeitam a lei precisam ser submetidas à inconseqüência das que desconsideram as regras básicas de convivência social?

A violência me atinge diariamente.

Mas, na quarta-feira dia 26/09/2001, o que aconteceu foi além.

Retornando de meu trabalho, fui assaltado por três marginais em plena via pública, diante de outros pedestres e mesmo de viaturas da Brigada Militar. Fui agredido, covardemente, recebendo um golpe na cabeça, por trás. Não bastasse isso, tive uma fratura em uma porção da bacia pélvica.

Estou impossibilitado de caminhar, de trabalhar, de realizar minhas atividades cotidianas por culpa da ineficiência do sistema público.

Vivo em um Rio Grande do Sul onde justiça e segurança estão nas mãos de um secretário omisso, conivente com o crime e com a injustiça. Vivo em uma Porto Alegre onde minhas alegrias estão se dissipando ao lembrar que, no trajeto de casa ao trabalho, posso perder a vida em segundos.

Ao ser assaltado, agredido, incapacitado, percebi como valho pouco para aqueles a quem presto socorro e salvo vidas. Percebi como sou insignificante para aqueles a quem confiei a missão de preservar minha integridade. Percebi como a troca é injusta.

Até quando a incompetência será a regra ? Até quando observaremos calados o avanço da violência, da corrupção e da injustiça ?

Ainda tenho esperanças de ouvir alguma notícia onde a justiça seja possível e onde o resgate da dignidade vá além da utopia.

Realmente, faço parte de uma lamentável e assustadora estatística: a das vítimas da violência urbana.

Modificações comportamentais, no sentido de criar uma cultura civilizada e ordeira, demoram gerações, muitas gestões ou mandatos, décadas, séculos...

A Europa e o Japão, por exemplo, com toda sua tradição e história, nos mostram o significado dos valores morais difundidos ao longo dos anos.

Mas, mesmo cientes de que esses padrões de comportamento têm uma longa história, não podemos esquecer de detalhes fundamentais. Ou seja, em determinado momento da história, eles iniciaram!

Vivemos um caminho inverso. Poderíamos mesmo afirmar que estamos na contramão da civilidade.

Cidades outrora pacíficas, seguras e agradáveis estão se transformando em campos de concentração, fronts de batalha, cenários terrorristas, matadouros, fábricas de mutilados...

Isso é preocupante !!!

Porto Alegre (ou o Rio Grande do Sul, de forma geral) está com índices de criminalidade em uma ascensão vertiginosa. As estatísticas oficiais já não refleterm a realidade cotidiana. Vítimas da violência, já céticas em relação ao sistema de segurança pública, sequer notificam o ocorrido pois sabem tratar-se de procedimento inócuo.

Eu, por exemplo, não consto nos índices oficiais da criminalidade. Ainda não pude registrar a ocorrência policial. Afinal de contas, stou restrito ao leito por uma fratura no quadril.

Quantas outras pessoas, já lesadas de alguma forma, deixam diariamente de registrar os incidentes por motivos semelhantes ?

Tenho recebido, diariamente, dezenas de relatos de casos semelhantes. Todos sem registro oficial.

A argumentação é sempre a mesma: para quê ?

Raras são as ocorrências registradas que desencadeiam alguma ação efetiva. A grande maioria é arquivada ou mesmo descartada ao final do expediente.

Estaremos, em breve, em um ano eleitoral. Nas disputas e nas prestações de contas, os índices oficiais serão os apresentados pela atual gestão. Seremos novamente ludibriados com estatísticas maquiadas ? Teremos relatórios com dados não representativos da nossa realidade.

Podemos errar por desinformação, desconhecimento, ignorância... Mas, a má fé com que estamos sendo tratados requer medidas urgentes.

Caso contrário, seremos culpados por possuirmos um emprego, seremos marginalizados por desempenhar algum ofício, seremos criminosos por adquirirmos um patrimônio.

Nós, cidadãos que agem segundo a ordem e a lei, estamos sendo desprestigados e preteridos em relação aos que se dizem "sem oportunidade e por isso são bandidos" ou "explorados e por isso sõ sem terra"...

Meus avós paternos vieram do Japão sem qualquer formação acadêmica. Trabalharam duro e o único patrimônio que conseguiram deixar para os filhos foi a educação. Pelo lado materno, italiano, a história foi a mesma. E, tenho a certeza de que, se vivessem nos dias de hoje, jamais aceitariam a argumentação de que a pobreza leva ao crime. O que leva ao crime é a falta de referencial, de educação, de cultura, de princípios, de "vergonha na cara".

O papel do Estado é proporcionar acesso a esse tipo de caminho e JAMAIS justificar a marginalidade e o crime.

A postura do Secetário Estadual da Segurança me envergonha e me revolta. Suas declarações me decepcionam a cada dia. Sua linha de pensamento me agride. É de conivência e tolerância sem a disciplina e o rigor que o cargo lhe exige.

O momento pede de austeridade, seriedade e competência.

Até quando estaremos nas mãos dos bandidos e seus cúmplices ?

 

 

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