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DE SALÁRIOS E DE PROPINAS

Alberto Afonso Landa Camargo 

O presidente Lula disse que “PM precisa ganhar mais para não levar propina da bandidagem”, conforme publicação na imprensa. A afirmativa a ele atribuída traz no bojo o entendimento de que a desonestidade é marca de quem é pobre. Assim, o que mediria a honestidade ou a desonestidade do policial militar seria o salário. Para ele, parece, não haveria meio termo e o mal estaria entranhado naqueles que ganham pouco e a honestidade seria um privilégio do rico. Considerando-se que há muito tempo policiais militares ganham mal, a alusão presidencial traria implícito o entendimento de que isto já ocorre e a bandidagem se locupleta historicamente.

Além da realidade brasileira isto não demonstrar, eis que estão aí as centenas de denúncias de envolvimento de políticos abastados e de grandes homens de negócios que se envolvem diariamente nas mais mirabolantes falcatruas, ora oferecendo ou recebendo propinas, ora apadrinhando seus familiares e agregados em cargos públicos, ora facilitando escolhas em licitações e concorrências, ora pagando pelo voto a favor ou contra alguma coisa, depreende-se da expressão presidencial uma flagrante discriminação que atinge a dignidade e a honra dos policiais militares. A pensar assim, cada um que concorde com o presidente, ao se deparar com um policial militar, imaginará que, à sua frente, está um corrupto em potencial.

Estigmatizar o pobre não deveria condizer com a posição de certos próceres da política. Em especial daqueles que alardeiam ter nascido na miséria e lutado, sobrevivido e crescido frente aos problemas que são consequência de tal condição. Isto depõe contra si mesmo porque vincula a corrupção ao baixo salário, quando qualquer um sabe que o salário alto não é vacina contra ela, mas apenas a elitiza, dado que o corrupto assim se comporta independente do ganho, e sim pelos seus desvios morais e éticos. Assim como a imensa maioria dos policiais militares não se deixa corromper porque ganha pouco, a insignificante minoria de corruptos existente não deixará de se locupletar só porque passa a ganhar melhor. Esta apenas “mudará de faixa”, visto que o quantum da propina sempre será proporcional ao ganho. Que o digam os abastados senhores que diariamente passam pela imprensa acusados de tantos crimes vinculados a tal espécie.

Eu não sei quanto ganha o presidente da república e, muito menos, sei quanto ganhava o torneiro mecânico que hoje está no cargo. Não sei, tampouco, se ao assim raciocinar em relação aos policiais militares mal remunerados, faz tabula rasa quanto a outros profissionais cujos salários são baixos. Mas que caberia uma explicação plausível, até para que não pairem dúvidas quanto a pessoas que já foram mal remuneradas e hoje exercem cargos com excelente remuneração, isto não restam dúvidas.

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