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DE PRÊMIOS E DE COMPETÊNCIAS 

Alberto Afonso Landa Camargo 

Estes dias, ao ser indicado para a secretaria de segurança, o atual secretário disse que os salários não são o mais importante e que vai incentivar os policiais concedendo-lhes medalhas e diplomas. Nenhuma palavra sobre recomposições salariais para aquela que é uma das polícias militares mais mal pagas do Brasil. Bem mais recentemente, a governadora, ao presidir a troca de comando, referiu que os escolhidos para as funções “são os melhores profissionais de segurança do Estado”.

Quanto a diplomas e medalhas, se a intenção é incentivar, peca-se pelo exagero, pois mingúem pode fazer disto moeda de troca nos balcões dos supermercados. Sem poder dar educação adequada aos filhos, sem poder comprar sequer um calçado de menor preço, nem aqueles falsificados na China, para substituir o único sapato gasto no cotidiano e vendo os remendos nas roupas puídas da família, fica difícil concordar que um punhado de medalhas e de diplomas pendurados nas paredes é um incentivo ao trabalho e à dedicação.

Se a intenção da governadora era incentivar os atuais comandantes dizendo que estava diante do que temos de melhor em profissionais de segurança pública, certamente conseguiu o intento, eis que estes certamente saíram da cerimônia incentivados como nunca. Fez justiça a estes profissionais, dada a sua incontestável dedicação e competência. Mas e o “resto”? Qual o incentivo têm agora sabendo que o seu esforço, dedicação e sacrifício nunca os levarão a igualar ou superar o que hoje é considerado o melhor?

Aquele que diariamente gasta seus coturnos nas redondezas de um banco, que passa todo o tempo estressado porque a qualquer momento poderá levar um tiro num assalto, que não sabe se poderá abraçar mulher e filhos após o serviço, não é considerado o que de melhor temos em segurança pública. Este, por mais que se dedique e que sofra as agruras da profissão, está relegado a uma condição inferior em termos de competência. Pode até ser competente, mas não é o que de melhor existe no Estado.

Nossas autoridades precisam ter mais cuidado com o que dizem. Precisam, antes de definir aleatoriamente que o bom é um diploma e uma medalha, conversar com o brigadiano para saber se é isto mesmo o que ele quer, se ele se satisfaz com um dos piores salários pagos a policiais brasileiros e está contente em assim continuar porque um diploma, uma medalha, um elogio e um aperto de mão podem substituir o pão na mesa. Precisam, antes de decidirem que o de melhor está ao seu lado, verificar se isto não é um desestímulo para os demais, para aqueles que se dedicam ou já se dedicaram diuturnamente à segurança pública.

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