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DE PERDEDORES E DE VITORIOSOS 

Alberto Afonso Landa Camargo 

Não é de agora que sempre que alguém que não foi eleito para alguma coisa, ao criticar quem o foi por alguma medida equivocada que este adotou, sofre sempre a acusação de estar assim agindo porque foi derrotado. É como se uma pessoa que perde uma eleição perca, concomitantemente, o direito de portar-se criticamente frente à realidade. Pior! É como se de uma para outra hora tenha perdido a sensibilidade, qualquer capacidade de raciocínio e a própria dignidade, pois toda vez que se manifesta, acusada é de fazer isto apenas por vingança e revanchismo.

Contrário senso, não é de agora que quem é eleito para alguma coisa assume-se como alguém dotado de absoluta infalibilidade, anunciando que tudo o que faz é certo e que as críticas são feitas unicamente para desestabilizar o seu mandato e a sua pessoa. É como se não precisasse dar explicações sobre seus atos, bastando dizer que as críticas são “coisas de perdedor”. Pior! É como se a soberba e o autoritarismo, de uma hora para outra, sejam suficientemente eficazes para atribuir ao novo mandatário um caráter de onisciência e de imunidade às críticas e às contestações.

Apenas para provocar o raciocínio, não me estou lembrando de nenhum caso real, proponho um exemplo para discussão: uma entidade que disponha de 1.700 membros dos quais apenas 800 comparecem voluntariamente para votar, com certeza não terá vitoriosos, pois significa que mais da metade deles, 900, preferiu não escolher nenhum dos candidatos concorrentes. Por mais que o eventual candidato eleito proclame-se o ungido por setenta por cento dos oitocentos votantes, acaba alardeando um duvidoso sucesso representativo, pois 900 eleitores o rejeitaram, como não quiseram, tampouco, seus adversários na eleição.

Perdedora, portanto, não será a instituição que sofrer críticas, mas aquela que, por omissão de seus dirigentes, precisar que membros que não compõem a diretoria busquem reunir-se à margem dela para pleitear direitos que quem tem o dever de reivindicar não o faz. Perdedora será a instituição como um todo, se os seus dirigentes passarem a dar mais importância a questões supérfluas em detrimento dos maiores anseios daqueles que compõem a classe, imaginando que o superficialismo de algumas decisões que apenas inflam o ego de um ou outro indivíduo são suficientes para aplacar os anseios daqueles que há dezenas de anos vêm sendo relegados quanto a direitos e renegados quanto à justiça.

É claro que não se pretende, com este raciocínio, negar a legitimidade de quem se elege ainda que nestas condições. Mas daí aquele que se sente ungido ao poder assim proclamar-se com tal empáfia a ponto de pretender negar aos votantes que não o apoiaram o direito à crítica, beira ao surrealismo quando não ao autoritarismo calcado em exemplos de partidos políticos autocráticos que assim se comportam tratando os adversários como cidadãos sem direitos e apenas com o dever de bater palmas a todas as decisões do ungido. Até porque, seguindo o mesmo raciocínio matemático do exemplo anterior, tendo obtido pouco mais de 500 votos entre 1.700 eleitores, estaria negando o sagrado direito de manifestação a mais de mil pessoas que não votaram em ninguém ou não apoiaram o eleito, mas que merecem igual tratamento sem quaisquer restrições ou discriminações. Direito, inclusive, à crítica e a manifestações em nome da sua liberdade e dos mais sagrados ditames que lhe concede, por natureza, a democracia.

Aos que se sentem ungidos no poder e comportam-se em desacordo e contrariamente a qualquer princípio democrático, não custa nada aprender um pouco sobre democracia e os seus princípios de igualdade e de liberdade.

Réquiem para os derrotados!

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