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O PARADOXO DA POLÍCIA ÚNICA

Alberto Afonso Landa Camargo

Está começando tudo de novo.Toda vez que assomam problemas na segurança pública, volta à balha a velha tese de que só a polícia única é capaz de resolver os problemas da criminalidade no Brasil. O mote agora, a justificar a nova investida para a unificação das polícias militar e civil, é o “espraiamento” de greves das corporações, que já atingiram vários Estados da federação.

Somos realmente um país de contradições. Orgulhamo-nos por termos em vigor o “mais moderno e avançado” estatuto da criança e do adolescente, que, no entanto, nenhum outro país do mundo se animou a copiar. Tal como o “Joãozinho do passo certo”, imaginamos com desprezo que o resto do planeta está irremediavelmente condenado ao atraso no trato com a criança e o adolescente delinqüentes. Pois agora, o burocrata de plantão no país, vem, mais uma vez, propor a tal polícia única  como se isto fosse capaz de evitar greves, badernas e, quem sabe, erradicar o crime do nosso convívio. Desta forma, seremos o único país do mundo contemplado com uma única polícia, o que fará com que os Estados Unidos - apenas para exemplo - com suas cerca de 14.000 polícias sintam inveja do Brasil e suas contradições. Daqui a uns tempos, tal como no trato da criança e do adolescente delinqüentes, estaremos nos “orgulhando” do nosso “moderno e avançado” sistema policial que nenhum outro país no mundo adota. Assim, mais uma vez o “Joãozinho do passo certo” desdenhará o resto do planeta condenado ao atraso.

Mas o paradoxal em tudo isto, é que as inteligências que querem e exigem a polícia única já falam em criar pelo menos mais duas em nível nacional e milhares em nível municipal. Afinal, a Guarda Nacional está chegando para atuar contra os movimentos de massa manobrados e organizados que agem com violência ante os olhos moucos de alguns governadores estaduais, uma medida provisória em breve estará transformando o Exército em polícia e o art. 144 da Constituição Federal está sendo modificado para que Guardas Municipais sejam espalhadas pelos municípios afora, assumindo as mesmas funções constitucionais das polícias estaduais. Considere-se nisto tudo, que tanto as duas novas polícias nacionais quanto as centenas de polícias municipais terão comandos independentes, o que não permitirá, sequer, o uso da falácia corrente de que elas atuarão integradas. Ou alguém acredita que os comandantes militares - certamente oriundos de uma das forças armadas – que assumirem as duas novas polícias nacionais subordinar-se-ão aos secretários de segurança dos Estados? Da mesma forma, as guardas municipais atuarão segundo doutrinas diferenciadas e de acordo com o humor dos prefeitos, tal como as estaduais que a cada quatro anos sofrem moldagens de acordo com a nova ideologia que assume o poder e determina o secretário de plantão. Assim, fica no ar uma paradoxal e contraditória pergunta: além da “polícia única”, quantas outras mais teremos?

Talvez o brilhante idealizador da implantação acredite que com a operacionalização da medida deixem de existir os “lalaus” da vida, os fraudadores da previdência, finalmente, devolvam aos cofres públicos o que roubaram do povo, e, o que é mais importante, seja erradicada toda e qualquer mazela social deste país cujo governo acaba de descobrir esta idéia miraculosa.

A propósito, nunca mais alguém precisará usar o poder econômico para abortar CPIs inconvenientes, as quais serão erradicadas do país por absoluta inexistência de motivos para instaurá-las. Afinal, se isto ainda acontece em algum lugar, é porque a polícia não é única.

 

 

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