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O MILITAR E O MILITANTE

 Ronilson de Souza Luiz

   Militar é aquele que segue a carreira das armas, que serve nas Forças Armadas, relativo a mílicia, significando também estar filiado a um partido, seguindo e defendendo as idéias de um grupo político, lutando, opondo-se.
   Na religião romana da Antiguidade, há um deus chamado Janus, sempre representado por uma cabeça com dois rostos opostos, de modo a olhar para frente e para trás; essa divindade era considerada protetora dos começos, isto é, da hora inicial do dia e do primeiro mês do ano (Januarios).
   Recentemente, os novos Ministros foram levados para conhecerem a outra face de Janus. Meu maior desafio é mostrar a outra face da Polícia Militar. A situação é delicada, considerando o ensinamento do pesquisador Thomas Szasz: "o profissional que escolhe ser um membro leal à sua profissão tem, então, de abraçar a ideologia da profissão: vai ensiná-la, aplicá-la, refiná-la e distribuí-la tão amplamente quanto possível, e, acima de tudo, vai defendê-la contra aqueles que a atacarem. Já o profissional que escolher ser um pensador crítico, este vai examinar cuidadosamente a ideologia: vai analisá-la; examiná-la histórica, lógica e sociologicamente; vai criticá-la, e, portanto, vai destruí-la como ideologia".
   Somos em alguns momentos chamados de radicais. Alerto que é a parte boa da história, pois, radical é aquele que vai a raiz dos fatos e dos problemas ao ponto invariável, portanto essencial, fixando por meio de laços morais e consolidando-se. Meus adversários de diatribe, parte deles, caminhavam rumo ao radicalismo, desconhecem que militar e militante têm muitas similaridades; e que todo militar já é um militante, porém, com algumas especificidades, certamente a mais forte são as tradições calcadas em costumes seculares.
   Sabiamente, a legislação não permite que os militares se filiem a partidos políticos, estabeleçam sindicatos ou façam greves, tudo porque militamos por valores que transcendem o cenário político, prova disso é que, sejam quais forem os resultados das discussões sobre o que ocorrerá com a previdência, em nada irão alterar nossa prontidão. Não que isso seja um mérito inalcansável por outros grupos, apenas, de forma ímpar, nos diferenciamos por fazermos renúncias que outros jamais pensariam. Aceitar os descaminhos, fazer o trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento, explorar o que pode e deve ser mudado no próprio pensamento - esse é um exercício dificílimo, porém, absolutamente necessário, ensinou o filósofo Michel Foucault.
   Saibam os militantes que o verdadeiro comandar não consiste unicamente em dar ordens, mas também em despertar  nos subordinados um desejo de colaboração voluntária. Existem duas maneiras de manejar os homens. Uma consiste em reprimir um ato indesejável pela força, pelo medo ou pela punição: é o método direto, com o qual se conforma o militar que não se sente seguro de suas aptidões. A outra, de uso mais delicado, requer tato, paciência, espírito compreensivo, uma aptidão especial para tratar os homens no plano da sinceridade intelectual e da igualdade; com exclusão de toda procura de popularidade, visa substituir a repressão pelo encorajamento e desenvolver em cada homem o melhor de si mesmo.
   Para que vivo? Que lição devo tirar da vida? A essas perguntas, o militante  responde apressadamente: para me tornar um bom cidadão, um erudito ou um comerciante. Mas o militar que é previdente e está voltado para criar uma cultura autêntica com ideais nobres deve responder: para me elevar e produzir os grandes homens e mulheres que a sociedade necessita.
   Aos fervorosos críticos dos militares e de seus herdeiros diretos que somos nós, policiais militares, encerro com a sabedoria chinesa "se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um; porém, se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando uma idéia, e, ao se encontrarem, eles trocam idéias, cada homem vai embora com duas".

 

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