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MESTRES E DOUTORES NA POLÍCIA

Ronilson de Souza Luiz

O sono da razão produz monstros. (Goya)

Conforme definiu o antropólogo e ex-secretário nacional de segurança pública, Prof. Dr. Luiz Eduardo Soares:

Nossas polícias são máquinas pesadas e lentas, nada inteligentes e criativas, que não valorizam seus policiais nem os preparam adequadamente; não planejam nem avaliam o que fazem; não aprendem com os erros porque não os identificam; não conhecem os problemas sobre os quais atuam (os policiais, individualmente, sabem muito; a polícia, como Instituição, nada sabe); não cultivam o respeito e a confiança da população; cada vez mais só prendem em flagrante, porque pouco investigam; limitam-se a reagir depois que os crimes já ocorreram; cometem um número imenso de crimes, quando sua tarefa é evitá-los ou conduzir à Justiça os perpetradores.

É a partir desta constatação que defendo a tese de que se não investirmos, também, no processo externo para melhor qualificação dos policiais, pouco avançaremos.

Não por acaso, o que mais me perguntam desde quando ingressei no mestrado é "quando você vai sair da polícia?". Nossas polícias são, em última análise, concomitantemente, uma função social, uma organização jurídica e um sistema de ação cujo recurso essencial é a força.

Prever, projetar e prevenir são os verbos que se apossam de nossas vidas individualizadas como resultado dos cenários presentes, especialmente nas áreas da saúde, educação e segurança pública; por atuar nesta última há poucos 17 anos, é a respeito dela que escrevo.

Neste exato momento em que o país comemora 10 mil doutores/ano, minha pergunta é: quantos pertencem aos quadros da segurança pública em seu ponto mais expressivo, ou seja, o policial militar fardado, a "ponta da linha"?

As demandas da atividade policial, hoje, exigem que o policial tenha discernimento nas mais variadas e complexas situações, em razão de as novas tecnologias e a dinâmica da velocidade dos grandes centros urbanos exigirem desenvoltura e outras competências para a tomada de decisões.

Longe de acreditar que seja condição sine qua non ser Doutor para atuar no policiamento de grandes metrópoles. Contudo, prezado leitor, nenhum de nós imagina cidades como Paris, Nova Iorque, Madri, Tóquio sem um único Doutor, em qualquer área do conhecimento, que faça também parte de seus quadros, mas, pasmem, por aqui isso acontece e não só em São Paulo, mas também nas demais unidades da federação.

A constante insuficiência de recursos, combinada com a imprevisibilidade e complexidade dos problemas contemporâneos, exige inovações na busca de métodos alternativos de intervenção, fatores que cobram um outro modelo de formação e gerenciamento do aparelho policial.

Para promovermos ações coletivas, a fim de que se vislumbrem horizontes melhores, os governantes e dirigentes da pasta devem investir na pós-graduação (mestrado e doutorado), pois, com as ferramentas de que estes cursos dispõem, nossos gestores de segurança pública poderão antever melhor e com maior profundidade os dinâmicos processos que interagem com a segurança pública.

Trabalho, pesquiso e estudo objetivando participar de uma instituição livre de vícios, valorizada socialmente e detentora de credibilidade. Sobre o futuro da Polícia Militar, penso que está chegando a hora de tomarmos o remédio amargo. Um conjunto crescente de profissionais percebe que nosso modelo urge ser reformulado, todo o sistema passa por significativas mudanças, e não cônscios desta realidade daremos maior vigor ao descrito no início destes escritos.

Reafirmo, como educador policial-militar, que não obstante os diagnósticos sombrios a respeito da profissão policial, busco e acredito, com entusiasmo, que há caminhos seguros a serem trilhados, para nos afastarmos da barbárie reinante, e estou convencido de que ele passa pelo investimento, com apoio das Universidades, na pós-graduação dos policiais. Temos também q ue revitalizar as instituições internas de ensino, com revisões dos currículos e metodologias mais significativas, aproveitando o restrito número de titulados (mestres) que, infelizmente, ainda não atuam na área de formação.

Agora, na fase final do doutoramento, a pergunta que ouço é: por que você ainda não saiu da polícia? Desejo ter exposto aqui parte da resposta, que não é apenas minha, mas também de outros poucos que seguem esta trilha.   Enfim, a caminhada é longa, irregular, espinhosa e imprevisível — igual a tudo na vida.

Leia mais:   Artigos   -   Trabalhos   -   Notícias/pesquisas

 

 

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