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O LOBO E A BANDA

Ronaldo Renato de Souza


        Fomos criados ouvindo contos, histórias, fábulas, que visavam incutir em nossas mentes infantis a diferença entre o bem e o mal. Em todas elas sempre foi necessário eleger um vilão, alguém que representasse a essência da maldade e, como tal, devesse ser justamente combatido. Um desses eleitos, personagem contumaz, foi o lobo.

        Vilão por excelência, o lobo protagonizou histórias sem fim, de Chapéuzinho Vermelho a outras em que, ludibriando o bom pastor, aniquilava impiedosamente cândidas ovelhinhas. Visando recuperar a desgastada imagem lupina, criou-se a expressão "vestir a pele do lobo", preconizando ao julgador uma necessária transferência para a situação do réu, antes de proferir a sentença final.

        A intenção era evitar julgamentos apressados, suscitar no julgador a dúvida: Qual seria o meu proceder no lugar do acusado? Uma primeira e sábia advertência seria lembrar que ninguém está acima do bem e do mal, vestimos ambas peles, ora personificamos dóceis carneirinhos, ora vorazes lobos.

        Fugindo das fábulas, entrando na vida real, nos dias de hoje, nossa Polícia Civil gaúcha foi eleita o lobo - mau - da história. Tal qual engenheiros de obras prontas, muitos arvoraram-se o direito de julgar procedimentos, ditar regras, condenar atitudes da nossa Polícia Civil. Doutos, profundos conhecedores, perfeitos julgadores de todas as mazelas, incompetências, desmandos atribuídos à polícia.

        A polícia virou um bando de fascínoras, uma banda, podre. Todos apressados em julgar e condenar a organização - sem exceções -, devem ser cidadãos exemplares, cumpridores da lei, pagadores de todos os impostos, incorruptíveis, muito acima destas mazelas, portanto, perfeitamente habilitados ao lançamento da primeira e de todas as pedras.

        Esses donatários da honra deveriam tentar imaginar um pai, um destes policiais qualquer, de nível médio, vivendo na modesta realidade que seu salário permite, explicando para os filhos o que é banda podre da polícia. Explicando que, apesar do que pode parecer, não são todos os seus membros instrumentistas da banda, que eles podem continuar se orgulhando do pai.

        Governos malversam verbas, virtuosos sonegam impostos - roubando do povo; geram desigualdades sociais brutais, milhões de excluídos. Depois é fácil, entrega-se para a polícia o papel que não lhe cabe, "lixeiros da sociedade" responsáveis por lidar com conflitos, solver problemas sociais - por outro sociólogo - não resolvidos. Ora senhores, convenhamos! Isso até pode ser "caso de polícia"; certamente não é caso para a polícia!

        Julgadores que agora se proclamam vestais, personificando Pilatos, lavam as mãos - sem calos. Julgam-se merecedores de uma polícia do primeiro mundo, esquecendo que ajudaram a criar uma sociedade de último mundo. O que é pior, essa polícia malpaga, mal-equipada e maltreinada, polícia jogada aos cantos, é obrigada a fazer o trabalho sujo com perfeição, defender o patrimônio, a integridade fisíca de uma elite "chocada" com a inexplicável(?) violência.

        O delegado chama o policial, determina a missão ao seu subalterno. Avisa: Coisas para lembrar: identificar-se como policial; só responder à agressão após agredido; usar meios razoáveis na defesa; todos são inocentes até prova em contrário; e que, para julgar tudo isso - corretamente! -, dispõe de toda uma fração do segundo. Coisas para esquecer: que é mal pago; que o suspeito pode não errar o primeiro tiro; se tudo bem, cumpriu o dever, se errar, está ferrado; esquecer também a familía, os filhos. Coisas para torcer: que o suspeito não seja tão mau; se mau que tenha também má pontaria; para, depois de tudo, voltar vivo para casa.

        Enquanto isso nosso governo esquece, convenientemente, que a polícia deve trabalhar para o Estado, não para atender interesses do governo ou ideais partidários - que são muitas vezes escusos. Esquece, também, que não é solapando a hierarquia, desvalorizando funcionários, enlameando a instituição com acusações da existência de "bandas podres" que vai justificar as falhas do governo, a falta de uma política séria no setor da segurança.

        Bandas podres, quaisquer que sejam ou de onde quer que sejam, devem ser combatidas, eliminadas pelos meios adequados, inquéritos, processos, justiça; nunca servir para discursos governistas, bandeiras demagógicas e eleitoreiras, visando encobrir a existência de outras bandas conhecidas, das suas próprias bandas podres.

        Quanto ao lobo? O lobo ao abater sua presa não o faz por ser bom, nem por ser mau; está apenas cumprindo o papel que lhe cabe, de lobo, seguindo os desígnios perfeitos da natureza.

 

 

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