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“INVESTI NO PAÍS ERRADO”

                                                                                                 Paulo Brossard

        
A semana foi triste, menos pela novidade, que não trouxe, mas pela publicidade nua e crua de uma realidade que vem se repetindo ano a ano, mês a mês, semana a semana, e que, pela reiteração, vai se tornando habitual. O desrespeito à lei vai ganhando foros de normalidade e se tornando corrente. A invasão da empresa rural Ana Paula, substancialmente, não difere da invasão das outras fazendas antes invadidas pelo mesmo grupo que a esse tipo de ocupação se dedica. A diferença está em que a Ana Paula envolve um complexo de grande expressão quantitativa e qualitativa. Graças a investimentos de porte, que o comum dos produtores rurais não tem condições de fazer, consorciando os melhores recursos da técnica, adquiriu expressão fora do comum. Tornou-se padrão de qualidade em larga medida. Foi isto que chamou a atenção da comunidade. A moda era difamar a área invadida dizendo-a improdutiva, ainda que fosse exemplarmente trabalhada. Dizer que a Ana Paula era improdutiva ou mal cuidada mais do que inverdade seria tolice rematada. Por isto mesmo a atenção despertada, tanto mais quando a invasão estava prevista.  

        Diga-se de passagem que os invasores não imputaram improdutividade ao complexo, mas foi dito que “a fazenda não tem produção direcionada para alimentar o povo brasileiro e sim para outros países”. Ora, quando toda a sua produção fosse realmente para exportação, o que não é verdade, seria uma opção lícita; de resto, todas as nações do mundo, da China aos Estados Unidos, de Cuba ao Japão, à Rússia, à Alemanha, multiplicam esforços no sentido de exportar o máximo possível e também entre nós se diz que “exportar é a solução”; e, quando o flagelo aftosa fechou os mercados europeus e americanos à carne brasileira, tudo foi feito para debelar o mal vindo de países vizinhos e festejado o momento em que foi oficialmente reconhecido que deixara de existir o risco de contágio pela nossa carne. O fato é de ontem e está na memória de todos. Isto mostra, no entanto, que numerosos grupos organizados para as invasões de propriedades rurais nenhum compromisso têm com a “reforma agrária”, mas desempenham tarefa internacionalmente planejada com finalidades ostensivamente antidemocráticas. 

        Aliás, a comprovar a assertiva, as invasões mais recentes tiveram como objetivo expresso “protestar contra o governo federal pela demora na reforma agrária”. Só que o protesto é feito à custa dos que trabalham e produzem. Bonita maneira de
protestar.  

        A reação do invadido foi simplesmente patética: “Estou arrependido de ter investido no país natal”, “investi no país errado”. O país errado é o nosso país, um país sem leis, onde as solenes garantias constitucionais do domicílio, da privacidade, da propriedade, da liberdade de empreender e trabalhar, estão sendo reduzidos a nada, mercê do egoísmo, da covardia e do oportunismo.  

        O mais grave, porém, é que os abusos vêm sendo cometidos à vista de todos e o grave em sumo grau é que o abuso tolerado e festejado vai tirando do homem comum a confiança na justiça. Perguntado por que não requeria a reintegração da posse esbulhada às escâncaras, respondeu a vítima “que país é esse onde tenho de pedir a um juiz para alguém sair da minha casa”, e, pior ainda, deferida a provisão judicial ela deixa de ser cumprida. Foi um ilustre magistrado de Bagé que declarou que as suas decisões nessa área deixavam de ser executadas porque o Executivo não cumpria a lei e a Brigada deixava de servir à sociedade e à lei na pessoa do esbulhado. Isto não foi dito por um anônimo, sem eira nem beira nem folha de figueira, mas por um magistrado. Quando desse modo se afronta a Justiça, abre-se a porta do império da lei da selva e é o fim dos fins. É a deterioração de tudo que possa significar ordem e segurança, direito e liberdade. Mas se levar-se em conta que o mesmo magistrado acrescentou que do fato dera ciência a instâncias superiores e não teve respostas, aí já não se sabe mais o que dizer e o que esperar. Tanto mais quando deixou de ocorrer às escondidas, para suceder à luz do sol; isto não acontece na Índia ou no Senegal, mas ocorre entre nós e como se ninguém visse coisa alguma.

 

 

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