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POR ENQUANTO, SÓ INTENÇÕES...

 Alberto Afonso Landa Camargo

   Qualquer administrador, por mais simples que seja sua empresa, preocupa-se em planejar bem sua atividade, eis que desta ação depende o futuro dos seus empreendimentos. Não foi à toa que nos anos noventa proliferaram cursos voltados à “qualidade total”. Pessoas de todos os níveis, quer empresariais, quer da administração pública, se empenharam na conquista de melhor qualidade para seus setores. Seria natural, portanto, que o atual presidente da República e seus assessores, antes de assumirem os postos da administração do País, já tivessem planos elaborados para serem aplicados com vistas a consolidar os anunciados novos rumos para a Nação. Para isto tiveram pelo menos doze anos, quando concorreram em três pleitos na tentativa de chegar à presidência da República. Algumas atitudes adotadas por eles, entretanto, têm indicado que neste início de governo não há um rumo planejado para o Brasil, a não ser quanto à economia, que segue rigorosamente o que já estava na cartilha de Fernando Henrique.

   Lula fez toda campanha eleitoral anunciando mudar tudo e descarregando críticas ao governo anterior. Paradoxalmente, mantém a mesma política, tanto que determinou a permanência em postos importantes da economia de pessoas comprometidas com o modelo implantado pelo presidente substituído. As demonstrações de que não havia planejamento ou de que este não era adequado tornaram-se mais evidentes quando se empenhou em conseguir que medidas tradicionalmente repudiadas pelo PT fossem renovadas, como a alíquota de 27,5% no imposto de renda e a CPMF. Conclui-se daí que, apesar de viver discursando contra elas, nunca teve nada melhor para apresentar. Da mesma forma, até agora só foram anunciadas medidas que não passam de meras intenções e, assim mesmo, isoladas e sem coordenação entre os seus idealizadores e elas próprias. Se não vejamos:

-                      O Ministro das Cidades anunciou que pretende resolver os problemas de moradia de favelados, mas já disse que precisa de ajuda para encontrar a maneira de como fazer. A idéia, pois, está intentada, só não há planejamento para implantá-la;

-                      O Ministro da Previdência anunciou que nenhuma categoria funcional deixaria de ser atingida pela reforma previdenciária, porém, mais tarde, disse que algumas serão excluídas dela. Quem se contradiz tão rapidamente é porque não sabe o que quer nem como fazer e, sequer, planeja o que deve ou não dizer;

-                      O Ministro da Defesa disse que o Brasil precisa da bomba atômica. Certamente não saberá justificar para que precisamos de tal artefato, eis que não se visualiza aplicação útil para a arma. Só inventa de fazer coisas desnecessárias quem não sabe o que é necessário - o mínimo que seja - para a sua atividade;

-                      O presidente tem alardeado que vai erradicar a fome no País dando três refeições diárias para todos. Esta intenção foi batizada de “fome zero”. Até agora o governo ainda não sabe como fazer para implantar a medida, tanto que mal visitou alguns lugares onde a pobreza é mais acentuada e já anunciou que o programa foi adiado e que o povo deve ter paciência;

-                      A imprensa noticiou que Lula, na tentativa de justificar as informações desacertadas de seus ministros, declarou que “não tem desacerto, cada companheiro está dizendo o que pensa”. Se cada um diz o que bem entende como se o seu universo esteja limitado unicamente ao seu ministério ou cargo é porque não há coordenação.

   A impressão que temos é que, embora candidato por três vezes a presidente, Lula não só não se preparou para sê-lo um dia, como, ao longo de doze anos, não planejou formas de implantar o que sempre defendeu ao longo da sua vida política, ou nunca teve soluções para o que criticava. Fosse diferente, não haveria tantos desencontros e desacertos e, ao assumir a presidência, já teria distribuído para cada Ministério o seu conjunto de intenções acompanhado do necessário planejamento. O que se vê diariamente na imprensa é cada ministro dizendo coisas descontextualizadas e desacompanhadas de qualquer plano de execução. Ingenuamente, ao longo de doze anos, o que mais ouvimos foi a crítica pela crítica. Descobrimos agora, que nunca houve soluções para o que se criticava. Desolados estamos vendo que as propaladas mudanças para um Brasil melhor nunca foram além da retórica que acabou por render-lhe a presidência do Brasil, esta sim, uma intenção minuciosamente planejada.

   Chama a atenção, também, o empenho da imprensa em passar a idéia de que as meras intenções manifestadas já são programas prontos e implantados. Quem vê Lula e seus auxiliares falando sobre o “fome zero” e a imprensa a alardeá-lo tem a impressão e acaba acreditando que os miseráveis já estão se alimentando três vezes ao dia. Ora, programa pressupõe planejamento, organização, linhas de raciocínio adequadas à implantação, conjunto de ações estudadas, previsão de recursos e, se possível, experiências. Chega a ser chocante como, perante a mídia, um conjunto de meras intenções vira, milagrosamente, um objetivo já alcançado e consagrado. Pessoas bem intencionadas estão dando alimentos para o governo e este não sabe sequer como transportá-lo, nem se o custo do transporte será mais compensatório ou não que comprar os gêneros nos próprios locais aonde serão distribuídos. Como se vê, algo que não passa ainda de elucubrações teóricas, num passe de mágica vira programa operacionalizado. A verdade, porém, é que tudo se reduz à propaganda no melhor estilo gramsciano. Se o “fome zero” é mera idealização, ou se vai acontecer um dia ou não, pouco importa. O que interessa é que saciar a fome transformou-se na única aspiração do povo massificado e a propaganda é expressiva para fazê-lo acreditar que encher a barriga é a única necessidade do ser humano.

   É de se esperar que não fiquemos por mais quatro anos sendo bombardeados por propagandas enganosas que não passam de divulgação de meras intenções que nunca saem do papel.

   E que não apareça mais ninguém a nos pedir mais paciência...

 

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