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INFÂNCIA E CRIME
O Globo on line de 22/09/01
Dados da 2 Vara da Infância e da
Juventude, no Rio, registraram índice alarmante: nos últimos cinco anos, o
número de atendimentos a crianças de até 14 anos envolvidas em atividades
ilícitas aumentou 40%, a maioria recrutada como força de trabalho para tráfico
de drogas, roubos, furtos e prostituição. E a tendência é piorar.
O aumento da criminalidade infantil assusta pelo pouco tempo em que ocorreu
e pela curva ascendente, vertiginosa, da violência entre menores. Por
enquanto, o problema tem dimensões administráveis. Em números absolutos,
são 3.100 crianças na capital. E tão importante quanto uma ação efetiva
das autoridades na proteção à infância é procurar saber por que os
programas até agora propostos não conseguiram mudar o quadro.
Um juiz carioca fez um diagnóstico: “É a criminalidade aquisitiva. As
crianças entram no tráfico por falta de perspectivas profissionais.”
Pode ser esta, talvez, a maior causa entre adolescentes. Um menor que atua
como “vapor”, vendendo droga para o tráfico, não ganha menos que R$ 50
por semana. Em contraste, o Plano Nacional de Segurança do Ministério da
Justiça prevê bolsas de R$ 40, com escola e atividades extracurriculares.
O tráfico, em suma, paga mais, e continuará pagando.
Quando se trata de crianças menores de 14 anos, porém, há bem mais do que
a pressão econômica. A maioria, entre os envolvidos com o tráfico, usa o
dinheiro ganho para consumir drogas. E o que é mais deprimente: idolatra os
chefetes de facções criminosas como símbolos de força e poder. São
crianças que deixam de ir à escola e passam a viver à margem dos
programas educacionais e assistenciais.
No quadro atual, há pelo menos duas vertentes para se enfrentar o problema.
A primeira é a tarefa de tirar das ruas os menores infratores. A segunda é
deter a tendência de crescimento da violência infantil. As duas vertentes
passam pela revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente e por ampla
discussão dos programas educacionais e assistenciais, tanto da prefeitura
quanto do governo estadual.
É certo que nenhum deles terá chance real de sucesso, sem que haja um
trabalho com os pais, deixando-os preparados para responder ao desafio de
manter seus filhos nas salas de aula.
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