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A CIDADANIA DO COMPANHEIRO FIORAVANTE

Elio Gaspari

        Uma gracinha a nota que o PT distribuiu a respeito do acidente de trânsito no qual o deputado Waldomiro Fioravante (RS) explicou o acidente no qual quebrou a perna de um comerciário e feriu sua mulher. Na noite de domingo, na cidade de Erechim, o companheiro Fioravante invadiu uma via preferencial e acertou o casal, que vinha numa motocicleta. Saiu do carro cambaleando, de calção, com um pé descalço e o outro vestindo uma meia de jogador de futebol. Recusou-se a fazer o teste de teor alcoólico e meteu-se numa discussão com policiais.

        A nota distribuída pelo PT diz as seguintes preciosidades:

        “O deputado afirmou ainda que, tendo assumido toda a sua parcela de responsabilidade, exerceu o direito garantido a todo cidadão de não se submeter ao teste de teor alcoólico”.

        “Se houve desentendimento com os policiais”, continuou Fioravante, “isso se deveu ao fato de ter sido a primeira vez que se envolveu em acidente de trânsito dessa dimensão.”

        Começando pelo final. O companheiro Fioravante criou uma nova modalidade de delito primário. A partir de agora, os cidadãos passam a ter a prerrogativa de se desentender com a polícia quando provocam o primeiro acidente de suas vidas, mesmo depois de quebrarem a perna de uma pessoa que respeita as leis do trânsito.

        O companheiro Fioravante informa que exerceu seu direito de cidadão ao rebarbar o teste de teor alcoólico. Desse jeito, leva-se longe demais essa história de cidadania. Não foi por cidadão que ele se recusou a fazer o teste, mas por ter bebido. Segundo ele, “vários copos de cerveja”. Quantos copos são vários, só o exame poderia dizer. A narrativa dos policiais e da mulher atropelada (levemente ferida) informa que ele saiu do carro cambaleando.

        É indiscutível que Fioravante tentou socorrer sua vítima. Felizmente, os policiais não permitiram. Com semelhante indumentária e equilíbrio, só um bêbado haveria de lhe entregar uma pessoa com uma perna fraturada.

        O deputado informa (sem que a nota do PT trate disso) que pretende processar os policiais por terem guinchado seu carro e por tentarem humilhá-lo ao pedir que se submetesse ao exame de teor alcoólico. Guinchar o carro é atribuição da polícia e independe de autorização do Poder Legislativo. Pedir o teste do bafômetro a uma pessoa que atropela um motociclista, sai do carro com um pé descalço e outro com meia de futebol é apenas a obrigação dos policiais. O deputado foi longe demais no hábito de se considerar os policiais culpados de primeira instância, seja qual for o delito cometido pelos outros.

        Seus assessores deram-se à prática dos seguranças de malfeitores, tapando com as mãos as lentes das câmeras de televisão que mostravam o parlamentar dentro do carro, com uma expressão mais para alfa do que para beta.

        É uma pena que o PT tenha colocado esse episódio no seu boletim de notícias da bancada. Acidente de trânsito numa noite de domingo, depois de vários copos de cerveja, é caso clássico de problema pessoal. É pena também que, em vez de o deputado pedir desculpas pelo que fez (ao casal e aos policiais), saia-se com parolagem de cidadania.

        Em dezembro de 1997, o então deputado Paulo Ritzel (PMDB-RS) viu-se numa encrenca de trânsito e carteirou os policiais que o pararam na estrada. Felizmente, um deles gravou sua argumentação. Dela resultaram 69 palavrões em 14 minutos. Quando lhe pediram explicações, disse o seguinte: “Virei bicho e reagi como cidadão”.

        Vai mal a cidadania brasileira. Num caso o doutor diz que, tendo virado bicho, reagiu como cidadão, como se houvesse relação entre as duas coisas. No outro, o companheiro toma vários copos de cerveja, atropela um casal de contribuintes e se recusa a passar pela humilhação do bafômetro em nome dos supremos ideais da ci cidá cidadá cidadania.

        O deputado Fioravante deveria manter sua palavra, processando os policiais. Será um lindo processo.

 

 

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