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Pesquisa mostra facilidade de acesso a drogas
Levantamento feito em todo o país sobre consumo de tóxicos divulgado pela Secretaria Nacional Antidrogas concluiu que mais

CARLOS ANDRÉ MOREIRA

        O Sul é líder no consumo de maconha, de crack, de cocaína e uma das regiões do Brasil nos quais o acesso às drogas ilegais é considerado mais fácil.

        Os dados fazem parte da pesquisa realizada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). O Levantamento Domiciliar de Uso de Drogas é quase um censo sobre tóxicos no Brasil.

        A íntegra da pesquisa foi apresentada na manhã de ontem pelo diretor da Senad, general Paulo Roberto Uchôa, durante o encontro nacional de conselhos estaduais de entorpecentes (Conens) em Brasília. Os detalhes divulgados pelo levantamento mostram que o maior consumo de drogas no país é verificado na faixa de 15 a 25 anos. O estudo foi realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

        Os pesquisadores do centro percorreram 107 cidades brasileiras em um período de três meses em 2001. A idéia era mapear não apenas o consumo, mas a percepção que a comunidade nas grandes cidades brasileiras tem do uso e da venda de drogas, legais ou ilegais. Aos entrevistados foi perguntado também se consideravam fácil adquirir determinados tipos de drogas, se já haviam sido abordados ou mesmo se haviam procurado vendedores.

        Dados sobre os efeitos provocados pelo consumo também foram obtidos. A pesquisa revelou, por exemplo, que 4% dos entrevistados já haviam sido internados para tratamento por causa do uso de álcool e outras drogas – número maior do que nos Estados Unidos (0,7%). E 2% dos entrevistados admitiram ter se envolvido em acidentes por causa do uso de drogas. Outro 1,8% contou haver agredido alguém depois de consumir drogas.

        Os três Estados da Região Sul foram apontados pela pesquisa como aqueles nos quais as pessoas consideram mais fácil o acesso a drogas como maconha. O índice de 66,7% é maior até do que a média nacional.

        Foi também a região em que mais entrevistados relataram ter visto alguém em estado alterado devido ao uso de drogas. Já nos casos de outras drogas, como crack, cocaína, LSD e mesmo heroína, o Sudeste foi a região em que mais pessoas disseram ser fácil obter tais substâncias. O Sul ficou em segundo.

        Com os dados, a Senad pretende agora adotar medidas de combate às drogas no Brasil. Uma das idéias é incluir nos currículos de todos os cursos de Ensino Superior e Magistério disciplinas sobre prevenção do uso indevido de drogas, para capacitar o corpo docente. Também está prevista a adequação do currículo escolar dos cursos dos ensinos Fundamental e Médio, visando à formação da criança e do adolescente.

SAIBA MAIS

NO BRASIL
19,4% - ou um em cada cinco entrevistados disseram ter experimentado algum tipo de droga ilícita
• A maconha é a droga de obtenção mais fácil, de acordo com a percepção dos que responderam à pesquisa: 60,9% (quase dois terços) acreditam ser fácil conseguir maconha
• A segunda droga cujo acesso é tido como fácil pelos entrevistados é a cocaína, citada por 45,8% das pessoas
• Os brasileiros acham mais fácil obter maconha e cocaína do que os colombianos: Na Colômbia, apenas 28,8% disseram ser fácil obter maconha, e 18,6% consideraram fácil arranjar a droga.
• A faixa de idade em que mais brasileiros consideraram fácil obter maconha situa-se entre 16 e 24 anos. Desse grupo, 68,5% disse que considerava simples conseguir a droga. Entre 12 a 17 anos, esse percentual foi de 54%
• 11,2% disseram ser dependentes de álcool, 9% dependentes de tabaco e 1% de maconha

REGIÃO NORTE
15,9% - disseram ter experimentado algum tipo de droga ilícita. É o menor índice do país
• Divide com o Centro-Oeste o posto de região com o menor número de pessoas que já usaram maconha. Apenas 5% dos entrevistados admitiram o uso da droga
• O uso de merla (variação mais forte do crack, de efeito mais prolongado, uma mistura da sobra do refino da cocaína com várias substâncias químicas, como ácido sulfúrico, querosene e gasolina) é o maior do Brasil: 1%
• 53% já usaram álcool e 33% já usaram tabaco. É o menor índice de usuários de tabaco no Brasil

REGIÃO CENTRO-OESTE
4,2% - são usuários de analgésicos opiáceos, o mais alto índice do país
60% já usaram álcool e 34% já usaram tabaco
• Divide com a região Norte o menor índice de maconha no Brasil (5%)

REGIÃO SUDESTE
71,5% - experimentaram álcool. É a região com o mais alto consumo do Brasil
• O número de pessoas que admitiram haver usado cocaína (2,6%) e crack (0,4%) é o segundo maior do país, perdendo apenas para a Região Sul
• Tem o menor índice de dependentes de maconha do Brasil: (0,7%)

REGIÃO SUL
8,4% - disseram ter experimentado maconha. É o mais alto índice do país

• É a região com o maior número de viciados em maconha: 1,6% dos entrevistados
• 69,4% já experimentaram álcool e 44,1% usaram tabaco. O Sul é a região em que mais se fuma no país
• É também a região em que mais há dependentes de tabaco no Brasil, a julgar pelo estudo: 12,8% dos entrevistados
• É a região do país em que as pessoas consideram mais fácil conseguir maconha: 66,7%, dois terços da população entrevistada, diz achar simples conseguir a droga. É maior até do que a média nacional
• A faixa etária que acha mais fácil obter maconha no Sul é a que vai de 18 a 24 anos, em que 77% dos entrevistados disseram considerar fácil arranjar a droga
• A Região Sul é campeã no número de pessoas que declararam ter experimentado cocaína (8,4%) e crack (0,5%). O resultado superou até mesmo o Sudeste, onde o tráfico dessas substâncias é muito mais intenso. No Sudeste, apenas 2,6% disseram ter usado cocaína, e 0,4% admitiram ter experimentado crack
• A Região Sul, é a que apresenta o menor índice de consumo de orexígenos (estimulantes do apetite): 1%

No Rio Grande do Sul, foram pesquisadas as seguintes cidades: Canoas, Caxias do Sul, Gravataí, Novo Hamburgo, Pelotas, Porto Alegre, Santa Maria, Viamão

REGIÃO NORDESTE
16,9%- é o maior índice de dependentes de álcool
• O índice de 16,9%, nas estimativas do Cebrid, representaria 1,5 milhão de pessoas
• Foi a região em que o maior número de pessoas admitiu já haver usado algum tipo de drogas ilícitas: 29%, um terço dos entrevistados
• 68,4% já usaram álcool (o terceiro maior índice do Brasil), e 37,4% já usaram tabaco
• É também a região em que mais pessoas admitiram já haver usado solventes (9,7%) como substância entorpecente
• É também onde se localiza o mais alto consumo de orexígenos (estimuladores de apetite): 11,2%

A PESQUISA
Foram entrevistadas 8.589 pessoas em 107 cidades com população superior a 200 mil habitantes
As idades dos entrevistados variam entre 12 e 65 anos
A pesquisa foi realizada de outubro a dezembro de 2001

Denarc prepara Raio X no Estado

DULCI EMERIM

        Uma pesquisa entre presos e detidos por tráfico e uso de drogas, a ser iniciada nos próximos dias pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), poderá ajudar a esclarecer por que as pessoas consideram mais fácil obter maconha na Região Sul do que no resto do país.

        Segundo o delegado Emerson Wendt, diretor do Denarc desde janeiro deste ano, até agora não foi feita uma radiografia do tráfico no Estado que explique os números da pesquisa feita Secretaria Nacional Antidrogas.

        Wendt diz que quantidade de drogas apreendidas desde que assumiu já ultrapassou o que foi recolhido no ano passado. Segundo ela, a eficiência aumentou apesar da diminuição de quase um terço no efetivo disponível. Para o delegado, o que alimenta o tráfico é o consumo, uma questão social a ser enfrentada com educação:

        – O tráfico tem de ser combatido mais no aspecto preventivo do que no repressivo. O Plano Nacional Antidrogas prevê a inserção de disciplina específica no currículo escolar para discutir o assunto. É uma pena que isso ainda não tenha sido implantado.

        O departamento está trabalhando em um modelo de questionário a ser aplicado a pessoas envolvidas na venda e no uso de drogas pegas pela polícia.

        O objetivo do levantamento é traçar o perfil do usuário e saber onde e de quem ele adquire a droga. Wendt acredita ser possível, por meio do levantamento, avaliar o grau de facilidade de acesso às drogas.

SAIBA MAIS

Carlos Zubaran, psiquiatra com pós-doutorado na Universidade
de Columbia (EUA), autor de pesquisa sobre síndrome de abstinência da maconha

O acesso fácil às drogas mostra a falta de uma política nacional para fazer frente ao narcotráfico. Teríamos de diminuir a oferta, com programas para acabar com o tráfico, e a demanda, com programas de prevenção e de educação nas escolas e nos meios de comunicação. Há falta de informação a respeito da droga. Você não vê astro de rock falando mal da droga, por exemplo. A maconha, que aparece como inofensiva, é uma droga muito séria.
Mauro Soibelman, médico que faz palestras para pais e professores sobre prevenção ao uso de drogas
Infelizmente, não me surpreende a facilidade de obtenção da droga. Isso funciona como as regras básicas do comércio. É claro que, se não houver consumidor, não há oferta. Mas, se for disponível e barato, aumenta o consumo. Mesmo que o adolescente seja bem orientado em casa, ele não está imune às pressões do grupo. Com duas ou três perguntas, ele descobre onde obter a droga.

Traficantes negociam pela Internet
Facções criminosas exibem páginas na rede

        As facções criminosas Comando Vermelho (CV), do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Terceiro Comando (TC), de Paulo César da Silva Santos, o Linho, já chegaram à Internet.  

        Desde que a polícia passou a grampear os celulares dos traficantes, as quadrilhas adotaram a rede mundial de computadores como meio de comunicação para negociar armas e drogas, além de fazer apologia do crime e até exibir os seus estatutos.  

        Um exemplo é um link encontrado numa página do CV para um site, em português e com endereço brasileiro (com a terminação .br), das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo guerrilheiro aliado da quadrilha de Beira-Mar. Na certeza de não serem descobertas, as facções criaram sites, contas de e-mail e fizeram registros no ICQ, programa de bate-papo em tempo real, para que os bandidos troquem mensagens.  

        Em um rastreamento feito pelo jornal O Globo, foram descobertos quatro sites e 26 registros de usuários do ICQ suspeitos de pertencerem a criminosos. Na página do TC são exibidas fotos de bandidos armados e usando drogas. No site do CV Rogério Lemgruber (CVRL), que leva o nome do fundador da facção, há fotos de presidiários e covas de bandidos.  

        Numa exibição de força, os bandidos divulgam seu arsenal, com fotos e dados técnicos de armas como o fuzil AK- 47. Nesse mesmo site, há uma lista com as 136 favelas dominadas pelo CV.  

        Nas páginas de registros de usuários do ICQ, foram encontrados cadastros com nomes de traficantes como Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Nesses registros há links para sites do CVRL e do Terceiro Comando.  

        Segundo o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, de São Paulo, especialista em crimes pela Internet, as páginas pertencem realmente a traficantes que buscam escapar de grampos telefônicos:  

        – Os criminosos descobriram a rede e atuam nela. Em São Paulo, tiramos do ar uma página do Primeiro Comando da Capital (PCC), que tem ligações com o Comando Vermelho. Quanto às Farc, já identifiquei provedores no Nordeste que mantêm suas páginas.

LACUNA NA LEi

• A falta de uma legislação sobre o conteúdo dos sites na Internet faz com que a polícia e o Ministério Público façam adaptações para enquadrar crimes praticados na rede de computadores no atual Código Penal, que é da década de 40.
• O artigo que trata da apologia ao crime, por exemplo, é um dos mais utilizados pelos promotores para fazer as denúncias. O problema é que ele prevê uma pena leve, de três a seis meses de prisão ou multa.

 

 

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