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Zero Hora de 02/03/02

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EUA APONTAM BRASIL COMO UMA DAS MAIORES ROTAS DO NARCOTRÁFICO

O Departamento de Estado dos EUA divulgou ontem seu relatório anual sobre a luta contra o narcotráfico. O documento coloca o Brasil na relação dos países de maior trânsito de drogas no mundo. O Brasil também é considerado pelos especialistas norte-americanos como um dos países da América do Sul com a maior produção de drogas. O estudo cita novamente o Brasil quando relaciona as nações mais envolvidas na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de narcóticos. De acordo com os Estados Unidos, a produção e o tráfico de drogas continuam aumentando em todo o mundo, apesar das milionárias campanhas para combatê-los

EUA apontam Brasil como rota de drogas
Departamento de Estado norte-americano divulgou ontem relatório anual sobre luta contra narcóticos        

        O Departamento de Estado dos Estados Unidos relacionou o Brasil entre os países em que há maior trânsito de drogas em seu relatório anual sobre a certificação da luta contra os narcóticos divulgado ontem.

        O relatório é parecido ao anunciado na terça-feira pelo presidente norte-americano George W. Bush sobre os esforços que 23 países fazem na luta antidrogas, onde o Brasil é considerado como um dos países da América do Sul com maior produção de drogas.

        O Departamento de Estado incluiu o país na lista dos países em que há o maior trânsito ou produção de drogas no mundo, na qual também estão Afeganistão, Bahamas, Bolívia, Mianmar (antiga Birmânia), China, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, Haiti, Índia, Jamaica, Laos, México, Nigéria, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru, Tailândia, Venezuela e Vietnã.

        O relatório do Departamento de Estado também coloca o Brasil na relação dos maiores produtores de substâncias químicas essenciais para a produção final de narcóticos, ao lado de Argentina, China, Alemanha, Índia, México, Holanda e Estados Unidos.

        O estudo volta a citar o Brasil quando fala dos países mais envolvidos na lavagem de dinheiro do narcotráfico e outras atividades criminosas, com Austrália, Canadá, Colômbia, República Dominicana, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, México, Holanda, Panamá, Paraguai, Rússia, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai e Venezuela.

        Na terça-feira, o presidente norte-americano George W. Bush havia informado sua avaliação anual sobre os esforços de um total de 23 países na luta antidrogas e concluiu que o Afeganistão, Haiti e Mianmar “fracassaram de forma visível” nesse combate.

        Segundo os Estados Unidos, a produção e o tráfico de drogas continuam aumentando em todo mundo, apesar das milionárias campanhas para combatê-los. Nas Américas, a raiz do problema segue sendo a Colômbia e os demais países andinos, onde os cultivos de coca, maconha e outros entorpecentes aumentam e se estendem a novas regiões mais rapidamente do que avançam as campanhas de erradicação.

        No resto do hemisfério, Equador, Venezuela, Chile, Brasil e países da América Central, especialmente a Guatemala, são classificados pelos norte-americanos como “pontos maiores de trânsito” da droga originada nos Andes.

        O sucesso da diminuição de áreas cultivadas de coca na Bolívia e no Peru, ação realizada com apoio dos Estados Unidos, contrasta com o aumento das plantações verificado na Colômbia. Pela primeira vez, o relatório divulgado ontem afirma que foram detectados também na Venezuela sinais importantes da planta e laboratórios para produzir a pasta de coca.

        Segundo o relatório, a cocaína, a heroína e as metanfetaminas (speed, ice, cocaína sintética e ectasy) são, nessa ordem, as maiores ameaças para os Estados Unidos. Elas seriam produzidas fora do território norte-americano, com exceção de pequenas quantidades das metanfetaminas.

Brasil é o novo vilão das drogas
País foi classificado como o segundo maior mercado consumidor e uma das principais rotas de distribuição

JOSÉ LUÍS COSTA        

        O novo mapa do narcotráfico internacional assinala contornos sombrios sobre o território brasileiro.

        Estudos produzidos pelo governo dos Estados Unidos e divulgados nos últimos dias transformam o país em um dos principais vilões no mundo das drogas. Pelos relatórios, o Brasil assume a segunda posição em consumo de cocaína no planeta, figura na lista de nações com maior trânsito de drogas e revela-se um dos países da América do Sul com maior produção de entorpecentes.

        Uma das explicações para essa ascensão brasileira – a exemplo de outros países do Terceiro Mundo – é a queda no uso de drogas na Europa e nos EUA. Documento elaborado pelo ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton assinalou a queda pela metade no consumo de cocaína em 2000 entre os norte-americanos, que aspiravam cerca de 500 toneladas ao ano. Na Europa, onde a estimativa de venda, em 1999, chegou a 300 toneladas da droga, a redução foi de 30%, segundo o relatório.

        Os norte-americanos se vangloriam de sua política intervencionista, com a eliminação de centros produtores na Colômbia, no Peru e na Bolívia, países de cultivo e de processamento da cocaína. Aumentaram o controle sobre a venda de insumos como éter e acetona (componentes usados para o refino da coca), bloquearam rotas de escoamento e infiltraram na América do Sul homens da Agência Central de Inteligência (CIA) e do Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antinarcóticos.

        Apesar da queda de oferta, norte-americanos e europeus não se afastaram das drogas. Trocaram a cocaína e a heroína por drogas sintéticas derivadas de anfetaminas, como o ecstasy. Essas drogas já seduziram um público maior do que o dobro de usuários de cocaína.

        Especialistas brasileiros não aceitam a faixa de vice-campeão no consumo de drogas por considerar os dados inconfiáveis. E interpretam a estratégia de repressão norte-americana como uma medida de autopreservação.

        – O esforço é mais voltado para estabelecer barreiras nos países de trânsito como o Brasil. A idéia visa, antes de tudo, a represar a chegada da droga nos Estados Unidos – afirma o advogado gaúcho Luiz Matias Flach, que presidiu, entre 1994 e 1998, o Conselho Federal de Entorpecentes (Confen), atual Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

        Outro ex-secretário nacional antidrogas – de 1999 a 2000 –, o juiz aposentado do Tribunal de Alçada de São Paulo Wálter Fanganiello Maierovitch estima que a “recessão” dos mercados norte-americano e europeu gere um excedente aproximado de 350 toneladas de drogas ao ano.

        – O quadro internacional é desfavorável ao Brasil e aos demais países do Terceiro Mundo. Aumentou a oferta de drogas refutadas pelos norte-americanos, e o crime organizado está buscando mercados para as sobras. No Brasil, já são sentidos os aumentos da oferta de cocaína, mas pouco se sabe sobre a heroína – alerta.

        Especialista em crime organizado, Maierovitch lembra que 2,5 milhões de camponeses latino-americanos se dedicam ao cultivo da folha de coca, colhendo 300 mil toneladas da planta por ano, que, processadas, geram 880 toneladas de pó. Segundo Maierovitch, a Bolívia tende a expandir o plantio da folha de coca a áreas onde, até pouco tempo, produzia frutas e verduras. É o caso da província de Chapari que sofre com falta de subsídios governamentais e exportava para a Argentina, que vive intensa crise econômica.

        A mudança de foco do narcotráfico internacional para o Brasil, cujo controle sobre as fronteiras é deficitário e tem muitas rotas de fuga, é do conhecimento da Polícia Federal.

        – Estava dentro das previsões. Infelizmente, o mercado brasileiro tem muito a crescer porque tem demanda reprimida. O índice de experimentação entre os jovens varia de 15% a 20%, enquanto nos Estados Unidos chega a 50% – observa o delegado da PF gaúcha Ildo Nascimento da Rosa, autoridade nacional no assunto.

        Somam-se a isso o desemprego e a falta de perspectivas, que funcionam como um ímã para a drogadição e a criminalidade junto às novas gerações que vivem na miséria. Ildo alerta para um outro componente nefasto associado a tantos malefícios da droga: a impureza do produto.

        – Temos informações claras de que a Colômbia usa insumos de terceira linha quando o destino da produção é o Brasil. Até cal e cimento são utilizados no processo de secagem – afirma Ildo, alertando para a necessidade de um esforço das comunidades, do governo e de entidades assistenciais para a criação de novos programas de prevenção.

        Foi com essa intenção que o atual chefe do Senad, Paulo Roberto Uchoa, pediu empenho na criação de Conselhos Municipais Antidrogas (Comads). Atualmente, só 10% dos mais de 5 mil municípios brasileiros contam com esse tipo de conselho. Uchoa admitiu que há muito por fazer no combate às drogas.

        O delegado Ildo reconhece que a PF terá mais trabalho pela frente.

        – Temos de priorizar a DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes). Entre as nossas atribuições, é a que mais preocupa. Já é o setor que mais recebe recursos e tem mais funcionários na PF – afirma.

As novas ameaças no mercado

        A redução da oferta de cocaína e heroína nos Estados Unidos e na Europa não afastou a juventude dos entorpecentes.

        Pelo contrário. Causou um efeito ainda mais devastador, despertando a produção em larga escala de drogas sintéticas com velocidade de dependência e poder letal superiores.

        O Informe Mundial sobre Drogas, divulgado em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU), confirma essa tendência. Produzidas em laboratórios clandestinos e com a fórmula disponível na Internet – a mistura poder ser feita na pia da cozinha –, apresentam algumas combinações exóticas de substâncias descartadas pela medicina.

        Uma das drogas que invadiu o Brasil no ano passado é um anestésico usado em cavalos, gatos e cachorros chamado Special K. Em meados dos anos 90, com a ascensão da música eletrônica, passou a ser usada como estimulante para dançar. A droga desenvolve sensações inexplicáveis como a de virar uma planta e se fundir a outras pessoas.

        Na Holanda, a moda é usar o GHB, ou líquido X, que desperta intenso apetite sexual e tem levado a estupros, coma e morte. Jovens costumam escrever a letra G no corpo para facilitar o atendimento médico, em caso de overdose.

        O surgimento dessas drogas se deu a partir dos anos 80. Boticários de fundo de quintal da Inglaterra, da Holanda, da Bélgica e da Alemanha começaram a lançar no mercado paralelo líquidos e comprimidos à base de anfetaminas (estimulantes do sistema nervoso). Combinaram alucinógenos com antidepressivos, conquistando jovens de classe média que estão à procura de energia e buscam espantar a timidez em danceterias e bares noturnos. É nas chamadas festas rave, com duração de até 12 horas, que o consumo ganha maiores proporções.

        – A cada duas horas, o pessoal toma um comprimido para ficar ligado o tempo todo. É uma insanidade – diz um ex-usuário de ecstasy, espécie de guarda-chuva das drogas sintéticas que abriga uma série de derivações.

        O uso dessas substâncias pode provocar parada respiratória, desidratação, hipertensão e falência dos rins. Combinadas com álcool, causam outras complicações.

        Ações policiais dão uma noção do perigo que ronda o país. Em 1996, a Polícia Federal fechou um laboratório em Santa Catarina que exportava ecstasy. Em 2000, a Polícia Civil de São Paulo prendeu cinco pessoas em um apartamento do bairro da Mooca, na capital paulista. No local, transformado em laboratório, havia 10 mil comprimidos de ecstasy. Um químico espanhol conseguiu fugir.

        A proliferação dessas drogas também se deve ao fato da facilidade de transporte e de armazenagem. Quadrilhas russas, dominicanas e turcas escondem a droga em cargas aéreas e contratam “mulas” – em geral dançarinas de clubes noturnos – para fazer viagens em vôos comerciais. No ano passado, a polícia de Nova York prendeu dois israelenses com 1 milhão de pílulas de ecstasy, que renderiam cerca de US$ 40 milhões.

        Uma das principais preocupações dos especialistas é a velocidade com que essas drogas se multiplicam. Com variações de fórmulas desconhecidas, podem desencadear reações surpreendentes, dificultando ao médico saber que tratamento aplicar a um drogado em crise. Algumas também provocam o efeito flash back, um distúrbio mental que pode ser provocado anos depois do consumo.

        Outra questão grave: há um amplo espectro de substâncias não-catalogadas pelas autoridades como drogas de uso proibido. Assim, quem é apanhado vendendo esses comprimidos ou frascos pode escapar da cadeia por falta de provas.

        – Gera problemas de atendimento de urgência e de configuração legal de crime – interpreta o advogado Luiz Matias Flach, ex-presidente do extinto Conselho Federal de Entorpecentes (Confen) e uma dos maiores autoridades em drogas do país.

DROGAS ALTERNATIVAS

Drogas sintéticas, produzidos por laboratório clandestinos, que estão chegando ao Brasil e sendo consumidas por jovens em bares, danceterias e, principalmente, em festas rave (que duram até 12 horas):

Ecstasy – Composto à base de anfetaminas, a substância foi patenteada na Alemanha, em 1914, como inibidor de apetite, mas logo em seguida foi abandonada pelos pesquisadores. Estimulante, diminui o cansaço e desinibe. Leva à euforia e deixa o usuário com grande energia, facilitando o contato interpessoal. Por isso, ficou conhecida como a “droga do amor”. Nos anos 50, era usada em interrogatórios e, durante a II Guerra Mundial, ministrada a soldados japoneses como a “pílula da coragem”. Pode provocar desidratação, hipertensão, parada cardíaca e colapso dos rins. Um comprimido custa entre R$ 30 e R$ 50. Pode ser comprada pela Internet, e algumas fórmulas são ensinada em sites
Nexus, Erox e Flatlyner – São versões mais potentes do ecstasy vendidas em drágeas na Europa e nos Estados Unidos
Ice – Cristais de anfetaminas usados por adolescentes, que os dissolvem dentro de latas de refrigerantes para “ficar mais ligado”. É usado por internautas fanáticos e aficionados por videogame. Dá a sensação de melhorar os reflexos e de que as cores e as formas na tela ficam mais vivas. Pode provocar parada cardíaca e descolamento de retina
Special K – Composto à base de ketamina, é vendido na forma líquida em farmácias veterinárias como anestésico para cavalo, cão ou gato. Assim como o Viagra, também é contrabandeado por camelôs. É a droga da moda entre os jovens de São Paulo e Brasília e já chegou a Porto Alegre. Aquecida, vira pó e é inalada. Também chamada de Vitamina K, Keller ou Super C. Alguns usuários dizem ter visto Deus. Sentem temores de virar vegetais e de se fundir com outras pessoas
GHB – Gama-hidroxibutirato foi desenvolvido na França em 1961 como antidepressivo e para tratamento de insônia. Chamado de G ou líquido X, também é conhecido como a droga do estupro, por despertar violenta excitação sexual. É considerada a última versão em estimulantes. Na Holanda, onde a droga é consumida livremente em festivais de música e danceterias, jovens são estupradas por rapazes sob o efeito da droga. As garotas dizem fazer sexo com qualquer homem após tomar o X. Alguns homens dizem sentir desejo sexual, mas precisam tomar Viagra
Popper – Líquido à base de anfetamina vendido em frascos de cinco miligramas em sex-shops da Inglaterra. Nos EUA, é conhecido como rush ou video head cleaner (limpador de cabeça de vídeo)
LSD – Embora seja uma droga sexagenária – foi descoberta na década de 40 –, o ácido lisérgico tem novos adeptos no Brasil. Produz distorções no funcionamento do cérebro. Alucinógeno, apenas 0,05 miligramas podem produzir até 12 horas de delírios. A pessoa sente-se capaz de voar e caminhar sobre a água. Chamado de papel ou ácido, é vendido em pequenos selos que contêm o ácido lisérgico impregnado em micropontos. Se dissolve quando colocado embaixo da língua. Em geral, os selos são estampas com figuras de heróis em quadrinhos.

“A droga leva à prisão, ao manicômio ou à morte”
Entrevista: A., 25 anos, ex-viciado em ecstasy

        Há dois anos, depois de usar maconha e cocaína, o jovem A., 25 anos, filho de uma família tradicional de Porto Alegre, experimentou o ecstasy. Sentia-se cada vez mais feliz, ingerindo até cinco comprimidos por dia:

        – O sonho de todo usuário de drogas é ser um usuário de sucesso, usar controladamente, mas não existe o usuário social.

        Os efeitos do ecstasy levaram A. a bater na porta do inferno. Teve de vender o carro, perdeu o emprego, passava até três dias dormindo, perambulou por duas clínicas e ficou sem rumo na vida.

        – Se não buscar recuperação, a droga só leva a três finais: à prisão, ao manicômio ou à morte – conclui.

        Em tratamento junto a um grupo de auto-ajuda, o jovem trilha novos caminhos, longe da “droga do amor” que, na verdade, semeia o ódio. Na última quinta-feira, A. concedeu esta entrevista a Zero Hora:

        Zero Hora – Como você teve acesso ao ecstasy?

        A. – Iniciei por meio de amigos. No começo, parecia uma brincadeira e, no final, acabou ficando bem sério. O ecstasy é uma droga da noite, muito de festas, de boates e de danceterias.

        ZH – Em quantas casas noturnas se encontra ecstasy em Porto Alegre?

        A. – São poucas. De cada 10, apenas uma tem. Mas são sempre as casas de maior sucesso, com maior afluência de público. As pessoas pensam: o meu filho está indo para tal festinha com amigos, não tem nada de mais. Mas, por trás de uma boa fachada, tem muito tráfico.

        ZH – É fácil comprar a droga em Porto Alegre?

        A. – É acessível. Quem quer usar droga consegue fácil. Tem diferentes tipos de comprimidos, marcas. Dependendo do tipo, o preço é diferente.

        ZH – Quem é que a vende?

        A. – Eles se consideram comerciantes, mas são traficantes. São pessoas bem apresentadas, de um nível melhor de quem trafica outros tipos de drogas. Em geral, são pessoas que também usam drogas e se utilizam do tráfico para manter o próprio vício.

        ZH – De onde vem o ecstasy?

        A. – Não tenho idéia, mas a fórmula se pega na Internet. Acredito que seja bem fácil fazer. Têm sites que ensinam a fórmula.

        ZH – Você consumia ecstasy diariamente?

        A. – No início, era esporádico. Era só naquela festinha, na sexta e no sábado. Depois, passou a se tornar mais freqüente, passou a ser na quinta, na sexta e no sábado à noite. Quando eu vi, estava tomando praticamente todos os dias, à noite. Depois, tomando inclusive de dia. Tomava um pela manhã, outro depois do almoço, e dois ou três à noite.

        ZH – Quando você tomava ecstasy usava também outras drogas?

        A. – Eu já tinha problemas com drogas. Foi simplesmente mais uma droga que se juntou. Usava várias drogas juntas. A pessoa que usa tenta rebater uma com outra. Uma droga acelera, outra deixa a pessoa mais devagar. Eu queria controlar meus sentimentos e meu humor, acelerando ou diminuindo o ritmo da minha mente.

        ZH – Que sensação diferente provoca o ecstasy em relação a outras drogas?

        A. – Provoca uma sensação de bem estar. É diferente. Dá sensação de que tudo está bem, tudo está resolvido. Naquelas horas seguintes ao comprimido, parece que tu és a pessoa mais feliz do mundo. É uma falsa animação. Na verdade, todo mundo que está dançando está num mundo superficial. Parece que todos são amigos, se beijam, mas depois que passa o efeito, a pessoa se sente sozinha no mundo.

        ZH – Você gastava muito dinheiro com drogas?

        A. – Eu gastava tudo o que tinha no uso de drogas. Era a coisa mais importante para mim. Vendia tudo que fosse fácil de negociar. Eu ganhava um bom salário, mas meu consumo de drogas era tão premente que nada bastava. Chegou uma hora que comecei a me endividar em bancos. Vendi carro, TV por preços baixíssimos e também oferecia direto ao traficante por troca. Tipo: eu dou o celular e tu me dá uma quantidade de drogas. Perdi o trabalho, perdi a confiança da família, perdi contato com amigos.

 

 

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