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OUVIR ESTRELAS?

Percival Puggina

É quase tão antiga quanto a filosofia a disputa entre o idealismo e o realismo. O idealismo pode ser resumido como expressão de prevalência da idéia sobre o objeto, seja para declarar a idéia como única realidade, seja para afirmar a realidade como aparência que se distingue do objeto propriamente dito. O realismo, em contraposição, afirma a realidade dos objetos, dos indivíduos e o primado da experiência.

"E daí?", dirá o leitor pouco afeito às elucubrações que encantam os filósofos. Pois essa questão, aparentemente desinteressante, tem imensa influência no campo da política pois ela – a política - ainda quanto tratada no plano teórico, afeta diretamente a vida das pessoas e dos povos. Podemos dizer que todas as utopias totalitárias que infelicitaram o século XX tiveram origem no idealismo filosófico. Seus líderes e intelectuais, absolutamente convencidos de haverem concebido a perfeita ordem social, política e econômica, extinguiram a democracia, o pluralismo, encheram as prisões, os campos de concentração, foram à guerra, dominaram outros povos e praticaram terríveis genocídios.

Embora perseguindo doutrinas diferentes, pela direita e pela esquerda, havia entre tais personagens um traço de união: desenvolveram, todos, como afirmou alguém, extraordinária capacidade de dizer e propor coisas terríveis de modo absolutamente cativante. Espalhavam ódio, acabavam com as liberdades públicas, produziam fome e violência, mas o faziam sorrindo, em nome da fartura, da igualdade, da solidariedade e dos mais elevados valores que se possa conceber.

Depois de algum tempo, o discurso se evidenciava tão desengonçado da realidade quanto, em si mesma, era desengonçada a doutrina. Seus líderes, no entanto, mantinham o discurso contra quaisquer evidências e usavam todos os meios de ação sobre a cultura para sustentarem a doutrina contra a realidade. Que se danassem os fatos, porque a idéia era perfeita!

Seus seguidores ainda estão por aí. Ouça-os quando falam do que fazem pois é como se as palavras construíssem uma realidade virtual. Por mais que os desdigam os prefeitos, afirmam que nunca se investiu tanto; por mais que o contestem os indicadores em queda, afirmam que nunca se cuidou tanto do social; embora os investimentos mais importantes estejam gerando empregos noutras paragens, afirmam que o Rio Grande é referência mundial; embora se persigam adversários, se tente calar a imprensa, se cubram os sindicatos com flamantes pelegos, afirmam que nunca adotamos práticas de gestão tão democráticas.

É como se ouvíssemos estrelas. Durante o Fórum Social Mundial usaram um slogan que exprime sua base filosófica: "um outro mundo é possível". Ora, há uma diferença entre empenhar-se na construção de um mundo melhor, aqui, e afirmar que um outro mundo é possível porque é lá, entre as estrelas, que se vive. Não se pode confundir a adesão a ideais elevados, coisa que se espera dos homens de bem, com fixar-se numa utopia e habitar um mundo feito de palavras, fora da realidade.

 

 

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