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DISSONÂNCIA
Ib Teixeira
Dos 843 homicídios
registrados na Guanabara em 1984, chegamos hoje a dez mil! Juntos, São
Paulo, Rio e Espírito Santo alcançaram em 2001 cifra histórica: 30 mil
homicídios! O que isso representa? Exatamente o mesmo número de mortos da
guerra civil na Colômbia nos últimos dez anos.
Quem são esses homicidas? Chefes de família? Simples
trabalhadores? Profissionais da classe média? Ou integrantes de bem armadas
quadrilhas que cresceram, prosperaram e hoje dominam incontrastavelmente
nossas favelas com suas AR 15, protegidos em seus redutos pela indiscutível
omissão da autoridade? Como a crônica policial informa, alguns deles
acumulam 10, 20, 30 assassinatos...
Sem coragem para endurecer as penas do múltiplo assassinato,
reformar uma execução penal deprimente ou alterar o Estatuto da Criança e
do Adolescente, que oferece ao menor de 18 anos o direito de matar com
impunidade, que fazem nossos ministros? Nada mais nada menos que patrocinar
um suposto desarmamento. Dos bandidos? Não! Nem as Forças Armadas nem as
polícias civis e militares declaram-se em condições de alcançá-lo, como
foi reconhecido dias atrás pelos repórteres da TV Globo, durante uma
excursão através do Rio Moa, na fronteira com o Peru. A patrulha que os
acompanhava rio acima voltou do caminho. Como se declarou em alto e bom som
no “Globo Repórter”: por não ter condições de enfrentar os
traficantes que dominam esta parte do Brasil! Aliás, no Rio já estão
oficializadas as áreas de risco. Nelas, o governo do estado não permite
que a polícia suba em horas noturnas.
A quem nossos ministros desejam de fato desarmar? Ou a quem
poderão desarmar? Simplesmente o chefe de família, com sua simples
garrucha para espantar um ladrão de galinha.
Há um claro contraste entre os números: no Rio Grande do Sul,
onde 16% da população possuem armas e o estado registra 15 homicídios por
cem mil habitantes, e o Rio, onde apenas 5% da população estão
oficialmente armados, mas o número de assassinatos chega aos 66 por cem
mil. Nos Estados Unidos, onde armas são vendidas em cada esquina, 40% da
população possuem armas, mas o número de homicídios é de apenas 6,8 por
cem mil.
No Brasil, onde as armas estão concentradas nas mãos de
bandidos entrincheirados nas favelas e mocambos, estamos com 40 assassinatos
por cem mil habitantes.
Os ingleses caíram na esparrela de adotar o Firearms Act, em
97. Desde então, os assaltos às casas cresceram 117% e agora existem no país
cerca de três milhões de armas clandestinas. Aliás, a mesma autoridade
brasileira que deseja desarmar a população foi quem, recentemente acabou
com a pena de prisão para o porte de arma! Durma-se com um barulho
desses...
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