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OS DIREITOS HUMANOS DOS POLICIAIS

                                                                                                                          Marcos Rolim

   A militância pelos Direitos Humanos é aquela capaz de reconhecer em todas as pessoas os valores da dignidade. Nesta simples exigência há uma enorme complexidade. Ainda hoje, há quem desconsidere a humanidade de determinados grupos e clame por políticas de extermínio. Cabe a nós insistir na idéia, tão impopular no Brasil, de que é preciso respeitar todos os seres humano. Com base nisso, quero chamar a atenção para a necessidade de respeitarmos nossos policiais. A função policial é uma das mais difíceis e arriscadas no mundo moderno. Em nosso país, a grande maioria dos policiais recebem salários aviltantes. Via de regra, trabalham desprotegidos e estão muito mais expostos à vitimização. Em São Paulo, de cada 10 policiais militares assassinados, 8 morrem nos períodos de folga. Por conta dos baixos salários, a folga termina sendo usada para o segundo emprego, quando os policiais encontram-se sem o apoio de sua corporação. Nesta circunstância, são mortos com freqüência, muitas vezes executados no momento em que sua identidade é descoberta. 

   Para piorar o quadro, nossos policiais são obrigados às piores circunstâncias de trabalho. O autoritarismo constitui, ainda, uma herança perversa nas corporações. Desconsiderados como cidadãos, os policiais terão dificuldade em respeitar a cidadania dos demais. Empobrecidos e sem  amparo, convivendo com o crime e a violência, uma parte dos policiais brasileiros é conduzida ao desespero e ao próprio crime. Casos de suicídio, depressão e sofrimento psíquico, desvio de conduta, alcoolismo e drogadição são, infelizmente, parte de uma rotina cada vez mais dramática. 

   Não há como suportar essa situação. Uma política de segurança pública no Brasil deve enfrentar como prioridade nacional a promoção dos Direitos Humanos dos policiais. Primeiro, definindo um piso nacional para a função policial; segundo, assegurando uma carreira policial atraente. Assim ofereceríamos segurança aos policiais e atrairíamos para a função pessoas com maior qualificação. Ato contínuo, devemos investir em inteligência policial, modernizando a investigação. Sem esse investimento não há como reduzir a impunidade. Por fim, devemos promover uma nova estrutura e uma nova cultura policial recuperando a auto-estima dos profissionais da segurança. Qualquer reforma nas estruturas de policiamento deve ser concebida de tal forma que os próprios policiais também sejam seus protagonistas e não simples objetos de decisões governamentais. Trabalhando nesse sentido queremos que o Brasil construa uma das melhores polícias do mundo e que cada policial possa oferecer às nossas crianças a noção mais concreta possível sobre o que seja um herói.

 

 

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