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O DESGASTADO E O DESCARTÁVEL

 Alberto Afonso Landa Camargo

 Produtos dos mais diversos enchem as prateleiras de lojas e de supermercados. Aliás, são encontrados também em pequenas quantidades, necessárias apenas para atender a demanda dos mesmos freqüentadores de sempre, em qualquer bolicho de esquina. Estes produtos podem ser divididos em duas categorias: os que pelo uso sofrem desgastes e por isto precisam ser substituídos, e os que são descartáveis após cumprirem a sua finalidade. O importante é que ambos ficam nas prateleiras a espera de que o interessado queira deles se utilizar.

Assim, objetos e mais objetos vêm sendo sistematicamente jogados ao descaso, ou por desgaste que os impeça de trabalharem para o exigido funcionamento da máquina, ou por terem cumprido a função para a qual foram adquiridos, considerando-se a absorção de todos os fluídos desconfortantes pela qual serão responsabilizados para todo o sempre. Aquela peça que pela sua característica sofre o natural desgaste do tempo é compreensível a sua substituição, afinal, impossibilitada de executar o mesmo e eficiente desempenho de quando era nova, precisa de outra para o seu lugar. Ao ser adquirida, no entanto, o usuário sabe que ela é passível de ser consertada e a usa parcimoniosamente e com cuidado dedica-se à sua manutenção, pois quanto mais ela durar, mais eficiente e econômica será a máquina da qual faz parte. Desta forma, pode-se dizer que existe entre o dono e ela uma certa interação que denota até um relativo carinho do ser para com o objeto. Talvez este carinho, ainda que ínfimo, seja o fluído que implica em que a máquina não seja de todo coisificada, parecendo ter uma alma e ser dotada de sentimentos.

O objeto descartável, no entanto, só tem uma finalidade e o comprador já sabe qual é a sua destinação e o seu tempo de durabilidade, findo o qual, vai para a lata do lixo, ou, de repente, tem outra destinação mais aviltante. Sobre este objeto o proprietário não nutre qualquer sentimento, havendo a sua total coisificação, o que impossibilita qualquer interação que venha a nutrir algum sentimento nobre. Para este não se cogita, sequer, a reciclagem. Usou, tenha ou não cumprido o objetivo, joga fora, até porque, nas condições em que se destinou, impossibilita-se qualquer lembrança de que, um dia, tenha passado por algum lugar. O ideal é que tenha feito rigorosamente aquilo que o dono quer dele, assim pelo menos, o seu descarte não será acompanhado dos naturais e incontidos impropérios que sempre se assomam nesses casos.

O interessante em tudo isto, é que à medida que os objetos descartáveis vão sendo jogados fora, outros novos e com brilhantes roupagens vão sendo repostos nas prateleiras para, depois, se juntarem aos demais que se empilham em meio à poluição.

É engraçado como governos fazem a mesma coisa com algumas pessoas e as tratam como peças descartáveis de uma imensa máquina. E o pior de tudo é que elas aceitam passivamente tal condição, ou o que é pior, incapazes de pensar não se dão conta da sua coisificação.

 

 

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