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A CULTURA DO “BICO” E A SEGURANÇA PÚBLICA 

Alberto Afonso Landa Camargo 

Mais uma vez anuncia-se num governo a intenção de acabar com o “bico” dos policiais. Entra e sai governo e o assunto é o mesmo. A impressão que passa é que a intenção está longe de ser a de resolver alguma coisa, mas unicamente mudar o foco da questão que deveria estar centrada em outros fatores mais importantes que atingem toda a sociedade. Como as reivindicações salariais se assomam neste início de ano, volta a velha tática de anunciar alguma vantagem para uma categoria sem contemplar outras e, assim, provoca-se uma divisão que só beneficia o Estado empregador porque, enquanto as classes se digladiam, o governo respira.

A desculpa novamente é o “bico”, como se alguém que ganhe setecentos reais e passe a ganhar novecentos vá abandonar o trabalho paralelo. Nem a diferença de duzentos reais é tão significativa a ponto de provocar isto, nem o salário alto é capaz de fazer com que alguém deixe de exercer atividade extra que lhe traga mais ganhos.

O “bico” é proporcional ao salário do funcionário, daí que qualquer um o exerce independente se sua casa é um rancho ou uma mansão. Os que não o têm é porque não lhes sobrou oportunidade, mas basta aparecer uma para que a assumam. Quem ganha bem e tem outra qualificação profissional vai exercê-la no aconchego de um escritório ou no lazer de uma chácara com criação de animais e não em frente a um posto de gasolina ou em um mercado de atacados no interior da vila. As diferenças são que no escritório ou na chácara não há os riscos do posto de gasolina e aquele continua a ganhar muito mais que este, quer na função pública, quer no “bico”.

Aumentar, portanto, duzentos reais na conta de quem ganha setecentos, não vai mudar o quadro atual e policiais continuarão em frente aos posto e aos mercados tão vulneráveis à falta de segurança e a condições de trabalho como sempre estiveram. As estatísticas de mortos e feridos não mudarão em nada, tendendo a aumentar à medida que, por conta do novo salário, governos sucessivos entendam que o funcionário possa ficar mais doze anos sem reajuste.

Se a intenção é, realmente, séria e não estamos mais uma vez diante dos tantos sofismas com que convivemos diariamente, então que os salários dos funcionários sejam aumentados em patamares suficientes para que o nível do “bico” lhes permita a necessária segurança a ponto de não continuarem engrossando as estatísticas macabras que atingem os policiais.

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