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SOFISMAS, ABSTRAÇÕES E CULPAS

 Alberto Afonso Landa Camargo

   A sociedade vem acompanhando atentamente o acontecimento que culminou com a morte de um menino em São Leopoldo, vitimado que foi por disparo de arma de fogo efetuado por um policial. A propósito do fato, já foram apontadas várias responsabilidades e culpas.

   A primeira a ser aventada foi a que denominaram de despreparo do autor. Só não foi dito que ele freqüentou um curso, em 1999, sob a égide das inovações alardeadas como saneadoras pelos que dirigem a segurança pública atualmente. A segunda culpa apontada responsabilizava a arma usada pelo policial, tida como inadequada para o serviço que ele executava. Trataram o objeto como se ele tivesse vida própria e fosse capaz de disparar projéteis só pelo prosaico fato de ser inadequado. Desprezaram a obviedade escancarada de que qualquer que fosse a arma - adequada ou não - uma vez usada imprudentemente por certo levaria ao mesmo resultado. Depois, a culpa recaiu na sociedade que, com a melhor das boas intenções, doou a arma para a Brigada. Tratou-se o doador como se ele tivesse a obrigação de fiscalizar a utilização do objeto doado e como se isto pudesse eximir do controle do bem o seu detentor. Seria o caso de pretender-se que o pai que dá um automóvel para filho habilitado que com ele se acidenta, seja culpado do sinistro. Mais adiante, a culpa passou para o exame psicotécnico ao qual foi submetido o policial, considerado ineficiente apesar de realizado em 1999 quando as inovações na preparação e na educação dos brigadianos já haviam sido implantadas com tanto alarde a ponto de, certamente, se constituírem em parte de plano para a área da segurança pública para um candidato à presidência da república. Por último, parece que a culpa está sendo repassada ao magistrado que concedeu a liminar permitindo que o policial colasse grau e fosse para as ruas fazer policiamento. Omite-se, no entanto, que se ele não fosse tenente, continuaria a ser sargento e executando rigorosamente igual serviço nas ruas, portando por certo, a mesma desditosa arma.

   Cuidado, portanto, com sofismas que criam culpados desviando a atenção das verdadeiras responsabilidades. Não se pode pretender que abstrações retóricas sejam culpadas de alguma coisa. Estas, como a arma do policial, só podem conduzir a algum resultado se alguém por trás delas acioná-las.

 

 

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