Brasil

  Rio Grande do Sul

Zero Hora de 04/08/02

 Menu

 Página inicial
 Quem sou
 Trabalhos
 Artigos
 Notícias
 Assuntos 
da semana
 Livros 
 Cartas e Respostas
 Charges

 Contato para pales-
tras e assessorias

 Links 
Recomendados 
Outros
 E-mail
 Enquetes anteriores


CRESCE NÚMERO DE HOMICÍDIOS
NAS PEQUENAS CIDADES

Assassinatos diminuíram 1% na Região Metropolitana

Levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, baseado em atestados de óbitos, revela
uma migração dos crimes com morte no Estado. Entre 2000 e 2001, a violência avançou
para o Interior e diminuiu na Região Metropolitana. Os números mostram um aumento
de 27,15% nos assassinatos (homicídios e latrocínios) em cidades fora do eixo
metropolitano. No mesmo período, na Capital e em 30 municípios vizinhos,
houve uma queda de 1%

Assassinatos avançam para o Interior
Crimes cresceram 27,15% em cidades interioranas e diminuíram 1% na Região Metropolitana, em 2001

JOSÉ LUÍS COSTA E JULIANA BUBLITZ        

        Os pais de Vanilza França da Silva, nove anos, decidiram no ano passado deixar Santa Cruz do Sul, cidade onde moravam havia 13 anos. Selvino da Silva, 47 anos, e Marlise Ferreira França, 29, temiam a violência.

        O casal buscou em Campestre, localidade com 300 moradores, no Vale do Rio Pardo, um recanto seguro para criar Vanilza e os outros cinco filhos – incluídos aí os gêmeos que devem nascer até outubro. Acabaram traídos pelo avanço da criminalidade para o Interior. Vanilza foi assassinada no domingo passado por um agricultor que fazia biscates na região.

        – A gente achava que Santa Cruz estava ficando perigosa com o passar dos anos. Podia ocorrer qualquer coisa com nossos filhos. Por isso viemos para Campestre, onde tínhamos parentes e parecia ser um lugar seguro – disse Selvino, que deixou os biscates para plantar fumo no Interior.

        A sensação do casal é confirmada por levantamento da Secretaria Estadual da Saúde, baseado em declarações de óbitos. Entre 2000 e 2001, a violência avançou para o Interior e diminuiu na Região Metropolitana. Os dados mostram um aumento de 27,15% nos assassinatos (homicídios e latrocínios) fora do eixo metropolitano.

        No mesmo período, na Capital e nos 30 municípios vizinhos, houve queda de 1%. Apesar da redução, morrem mais pessoas na Região Metropolitana do que no Interior. E, em todo o Estado, os assassinatos aumentaram 11,5% no período (de 1.653 para 1.844).

        A barbárie que vitimou a menina Vanilza pode ser conseqüência do que o sociólogo José Vicente Tavares dos Santos classifica como carência de convívio social.

        – Os crimes crescem nas áreas rurais pela inexistência de projetos culturais, esportivos, de lazer e de emprego. Há uma relação inversa entre participação social e crimes. Quando a pessoa se integra, ocorre menos crimes – interpreta o sociólogo, coordenador do grupo de pesquisa de violência e cidadania da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

        Embora haja consenso de que muitos homicídios são inevitáveis, autoridades alertam para ações do crime organizado no Interior. Quadrilhas estariam se expandindo para pequenas e médias comunidades e provocando mortes por desacertos e queimas de arquivo.

        – Como a atividade policial é mais intensa nos grandes centros, os bandidos estão migrando. O tráfico de drogas, por exemplo, está disseminado. Não existem os grandes patrões, então, eles começam a se devorar para tomar espaço. É uma carnificina pelo poder – opina o delegado Lauro Santos, delegado de Soledade e que por seis anos chefiou a Delegacia de Homicídios.

        Fenômeno semelhante já foi verificado em São Paulo, explica o sociólogo Túlio Kahn, do Instituto Latino-americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud).

        – A maioria das mortes está relacionada às drogas. Quando cresce o tráfico de drogas, crescem os roubos de carro, os assaltos e os homicídios. O tráfico é um crime multiplicador – analisa Kahn.

        Uma das explicações para o recrudescimento da violência no Interior é o incremento populacional em cidades de médio porte. Segundo dados do Censo 2000, na última década Porto Alegre teve crescimento demográfico de 0,97% – taxa bem abaixo do índice estadual de 1,5% –, perdendo moradores para municípios fora do eixo metropolitano.

        O Censo mostra que famílias de classe média deixaram a Capital em busca de melhor qualidade de vida – traduzida em mercado de trabalho, escolas e universidades para os filhos, melhores condições de lazer e de serviços e custo de vida e índices de violência mais baixos.

        Caxias do Sul e Santa Cruz do Sul, por exemplo, despontam como pólos atraentes para novos habitantes. Os dois municípios também registraram as maiores elevações das taxas de assassinatos em 2001.

        – Quem se mudou foram pessoas com poder aquisitivo, elevando o padrão de vida das cidades – observa Ana Soster, professora de geografia urbana da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

        Mas a estrutura de segurança não acompanhou a elevação populacional. Os primeiros sinais desse quadro se manifestaram em 1998, com os seqüestros de gerentes de bancos, arrombamentos em fóruns para furto de armas e ataques a postos da Brigada Militar.

        – Pode ter havido uma migração de gangues – analisa o sociólogo e pesquisador Juan Fandino da UFRGS.

        O diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), delegado Pedro Urdangarin, reconhece as taxas elevadas em 2001.

        – Tivemos problemas em Caxias do Sul, Uruguaiana, Pelotas e Passo Fundo – diz Urdangarin, ressaltando ter tomado providências para estancar a criminalidade.

Punição pode estancar homicídios

VIVIAN EICHLER
Casa Zero Hora/Passo Fundo

        A execução de um presidiário na principal avenida de Erechim, em junho de 2001, assustou a população. Desde então, a cidade foi assolada por uma onda de homicídios.

        O crime foi um acerto de contas entre os bandidos, concluiu o júri em julho passado. Menos de uma semana depois do crime, a cena se repetiu, no Centro.

        Nos últimos anos, o município deixou de ser um lugar calmo. A cidade, cuja economia até a década de 80 era baseada na produção primária, tornou-se um pólo industrial e de serviços. Investigações policiais indicam que Erechim é hoje rota do crime organizado e alvo de assaltantes.

        O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, André Marcolin, se diz perplexo com o aumento da violência, cujas causas atribui ao medo da população em denunciar.

        – A criminalidade cresceu mais do que a cidade. Essa é a sensação – descreve.

        O número de homicídios na cidade dobrou entre 2000 e 2001 e segue crescendo. Neste ano, até junho, já houve 14 assassinatos.

        – Em julho, com um mutirão de 15 sessões do Tribunal do Júri e a aplicação de altas penas, não houve assassinatos – explica o promotor Luciano Vaccaro, acreditando que as punições tenham inibido outros crimes.

        Seguindo o ritmo de sentenças, na última terça-feira, o júri condenou um delegado de polícia aposentado de Erechim. José de Luca deverá cumprir 17 anos de prisão pela morte da ex-mulher Érica Kuhn, em 1994.

ERECHIM

90,3 mil habitantes
Taxa de assassinatos
por 100 mil habitantes
2000 8,8 casos
2001 17 casos
Aumento de 93,1%

Crimes que alavancam a violência

        O tráfico de drogas e os crimes ligados aos roubos e desmanches de veículos alavancam a violência em Caxias do Sul. Segundo as autoridades, o crack vem corroendo a juventude e estimulando à prática de crimes.

        Com Bento Gonçalves, Caxias é o município mais castigada pelo crack no Estado. Em quatro anos, o volume de apreensões em Caxias triplicou, segundo dados da Brigada.

        Importante pólo metalmecânico do Estado, a cidade sofre com a urbanização descontrolada. Estudo da Universidade de Caxias do Sul (UCS) aponta que 90% da população concentra-se na área urbana. Não há emprego para todos que chegam à cidade, e vilas pobres proliferam sem que o poder público possa criar condições adequadas de infra-estrutura.

        A violência avança sobre a área rural, levando medo a localidades até então imunes a ações de criminosos. Em 24 de novembro passado, o agricultor Ibanês Echer, 35 anos, trabalhou até a meia-noite encaixotando os primeiros tomates colhidos na safra. Acostumado com a tranqüilidade no interior de Vila Cristina, distrito de Caxias, Echer foi surpreendido, uma hora depois, com dois ladrões armados dentro de casa.

        Antes de esboçar reação, o agricultor levou dois tiros e morreu na hora. Os sogros de Echer, Normélio, 58, e Vilma Bone Weber, 55, foram agredidos com coronhadas. Oito meses se passaram sem que a Polícia Civil conseguisse elucidar o crime. Dos 82 assassinatos registrados em 2001, 22 continuam insolúveis.

CAXIAS DO SUL

368.776 habitantes
Taxa de assassinatos
por 100 mil habitantes
2000 15,5 casos
2001 25,8 casos
Aumento de 66,4%

 

 

adicione o Polícia e Segurança aos favoritos.

Clique aqui para assinar o Livro de visitas
Clique aqui para ler o Livro de visitas.
As idéias e opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores.
 

Web designer: Otálio Afonso