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A CULTURA DO CARTEIRAÇO

Rosane Oliveira

  Acredite, se for possível: o deputado federal Waldomiro Fioravante desrespeitou uma via preferencial em Erechim, atropelou um casal de motoqueiros e não quis fazer o exame de teor alcoólico para “não ser humilhado”. O que o deputado fez foi aplicar o clássico carteiraço, invocando a imunidade parlamentar num dos raros casos em que ela não se aplica plenamente. A lei não isenta os deputados de cumprirem as regras de trânsito.

        Ontem, depois de uma noite de sono, o deputado anunciou que vai processar o patrulheiro rodoviário e os policiais que deram informações sobre o seu estado de ânimo nos minutos posteriores ao acidente. Deveria ter pedido desculpas ao policial, mas preferiu se defender ameaçando processar um funcionário público que estava no cumprimento do dever.

        No momento em que se recusou a fazer o exame de teor alcoólico, o deputado perdeu a oportunidade de provar que estava sóbrio. Os assessores que tentaram impedir o trabalho da repórter da RBS TV ajudaram a complicar a situação do deputado. Tapando a lente da câmera, deixaram no ar a impressão de que Fioravante tinha algo a esconder. A lei não obriga o deputado a se submeter ao bafômetro, mas deveria fazer o exame clínico. Na condição de homem público, Fioravante deveria dar o exemplo.

        Fioravante reprisou o comportamento histérico do ex-deputado Paulo Ritzel, que, em 1997, ao ser abordado por policiais rodoviários na RS-239, em Campo Bom, aplicou o carteiraço e desacatou os patrulheiros com palavrões impublicáveis. Ritzel teve azar, porque os patrulheiros gravaram tudo. Foram 69 palavrões em 14 minutos. Coincidência ou não, sua carreira política desmoronou.

        Em agosto de 1996, a omissão no atropelamento de um operário, em Brasília, custou o cargo ao então ministro dos Transportes, Odacir Klein. O ministro estava no banco do carona do carro dirigido por seu filho. Fugiu sem prestar socorro, mas foi localizado porque um cidadão anotou a placa do veículo.

        Acidentes acontecem, inclusive com motoristas cautelosos. O caso de Erechim teria sido apenas mais um para as estatísticas dos acidentes com lesões corporais se o deputado não tivesse armado um barraco para escapar de um exame necessário – ainda que contestado – em casos de acidentes de trânsito.

 

 

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