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A CULTURA DO “BICO” E A POLÍCIA

 Alberto Afonso Landa Camargo

        Entra e sai secretário de segurança e não se vê nada de novo. Sempre a mesma coisa, os mesmos erros e contradições e a imprensa a anunciá-los como solução. Parece que é possível enganar alguns, tanto que se divulgam disparates e não aparece ninguém, a não ser uns poucos abnegados, a criticar as medidas.  Agora é o secretário do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que anuncia autorização para que policiais possam ter um segundo emprego, oficializando o vulgarmente conhecido “bico”, com a novidade de que vai permitir que trabalhem fardados.  

        Quantas horas trabalhará o policial? Terá tempo para descansar, ou vai trabalhar cansado aumentando os problemas que são peculiares a quem atua nessas condições? E a família? Ah, ela não precisa ser visitada pelo policial. Não há a mínima necessidade de que ele tenha um pouco de tempo para conversar, pelo menos isto, com a mulher. Se aumentarem os índices de separação de casais, que mal tem? Policial não precisa de conforto e convício familiar. Tem que trabalhar na polícia e, quando de folga, atender a iniciativa privada ganhando menos que o Estado lhe paga. Ou alguém acredita que outro empregador irá pagar um salário condizente para ele? O desemprego certamente aumentará também, pois muitos profissionais da segurança privada serão obrigados a entregar vagas a policiais, mais bem preparados e treinados, portanto com a preferência dos empregadores. A massa de novos desempregados pela concorrência desleal que o Estado, que devia proteger o cidadão, pratica, talvez vá se entregar ao trabalho informal que sustenta o tráfico de drogas e aumenta o número de vítimas inocentes que povoa este Brasil que um dia já foi abençoado por Deus, inclusive policiais, porque o "bico" se presta a isto - as estatísticas estão aí a confirmar. Sem contar que policiais inescrupulosos não vão valer-se unicamente da farda nos seus trabalhos particulares, mas de armas, viaturas e outros meios do Estado (não seriam do cidadão?) para melhorar a sua prestação de serviços. Em breve teremos empresas particulares de segurança usando meios públicos para o trabalho. Mas isto é mero detalhe. Importa aos idealizadores da medida que, com o "bico", diminuirão as reivindicações salariais e de outros direitos que o Estado, embora obrigado, nega aos policiais jogando-os ao desamparo.

Os exemplos estão aos olhos de quem queira ver, mas, cegos, recusam-se a tal mister. O oferecimento do "bico" só acontece em meio a polícias mal remuneradas e no âmbito de governos que não reconhecem a importância da atividade do policial, nem a sua inequívoca condição de ser humano. É só olhar para os lados para ver que no próprio quintal há policiais bem remunerados e que, por isto recusam-se a discutir coisas desse tipo. Eles não precisam fazer “bico” e seus interesses são outros mais importantes, voltados que estão para questões mais relevantes.

Só não vê que o tratamento hoje dado às polícias pelos Estados está ampla e irrestritamente equivocado quem consegue emprego por força de ingerências políticas ou de parentescos. Um dia, estes que nunca foram profissionais de segurança, mas, mal assumem um cargo de tal porte têm-se como grandes conhecedores do mister, dar-se-ão conta de que melhorar a polícia passa pelo respeito aos massacrados e desconsiderados seres humanos que insistem em ser policiais.

 

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