Brasil

  Rio Grande do Sul

 Menu

 Página inicial
 Quem sou
 Trabalhos
 Artigos
 Notícias
 Assuntos 
da semana
 Livros 
 Cartas e Respostas
 Charges

 Contato para pales-
tras e assessorias

 Links 
Recomendados 
Outros
 E-mail
 Enquetes anteriores

OS PROFISSIONAIS DA BARBÁRIE

José Nivaldo Cordeiro

   Meu caro leitor, estou perdendo a capacidade de me espantar com o que leio nos jornais, saído da boca das autoridades e das classes pensantes.  Aprendi muito cedo que à barbárie se opunha a civilização e que esta é resultado de uma ordem.  O bárbaro é uma espécie de sombra do civilizado, ou um civilizado com sinal trocado, normalmente associado a tudo aquilo que é alteridade para a civilização.  Daí que os não falantes da língua, ou que a falam forma hesitante e falha, são bárbaros por definição.

   Em uma sociedade como a nossa podem ser designados bárbaros todos aqueles que se encontram à margem da lei, o princípio ordenador do caos.  Por definição são os fora-da-lei aqueles que são os bárbaros.  Quanto mais poderoso e feroz é o delinqüente, mais bárbaro o será.  O apogeu do barbarismo é a criminalidade organizada em torno do narcotráfico, cujos integrantes perderam qualquer limite para a sua ação criminosa.  São capazes de qualquer coisa.

   É próprio dos bárbaros buscar destruir a civilização sem ter nada para colocar no lugar, exceto o caos.  A luta deles não é uma luta para trocar o sistema político ou mudar a elite dirigente:  sua lógica é apenas destruir, ainda que a sua destruição tome apenas um espaço infinitesimal do território, lá ficando instituído o reino do terror, a ausência da lei.  Mais das vezes percebe-se nos líderes bárbaros apenas um élan guerreiro, atuando sob uma bandeira equívoca.  A ação pela ação, a destruição pela destruição, o poder atomizado de seres embrutecidos e desprovidos de qualquer virtude pública.  São o esgoto social.

   É possível ter uma idéia do grau de loucura e periculosidade de uma situação dessas quando vemos o que acontece com aqueles  – a exemplo de Tim Lopes –  que, por desgraça, tenham caído inermes nas mãos desses facínoras.  O modo de matar que usam vai ao limite da crueldade, fazendo da execução uma espécie de jogo macabro, uma forma de divertimento.  Barbárie tem conseqüências trágicas.  Seus autores não atribuem qualquer valor à vida, sua ou dos outros.

   Mas voltemos ao ponto inicial.

   Hoje os jornais trazem as declarações estapafúrdias de Luiz Eduardo Soares, o Secretário Nacional de Segurança Pública, dizendo que os policiais brasileiros são "profissionais da barbárie".  É a mais completa inversão de valores que alguém, empossado em um cargo que é possivelmente o de maior autoridade policial federal, poderia fazer.  Polícia, por mais mal treinada, truculenta, arbitrária e sem comando que for, é ainda a expressão da civilização, é a força da lei agindo, é o único instrumento disponível para o combate direto aos bárbaros.  Associar policiais com o seu oposto é malicioso:  um Beira-Mar no cargo não diria diferente disso.

   As nossas polícias podem ter defeitos, mas uma generalização dessas é inaceitável, injusta.

   Será um mero erro de ponto de vista?  Não creio.  Por trás de declarações assim há todo um imaginário político, todo um propósito de desacreditar as instituições, mesmo aquelas que supostamente estão sob a sua jurisdição.  O secretário é o Grande Bárbaro, é como que um representante dos inimigos da lei no Poder Executivo.  O fim último, na cabeça desse senhor, é fazer a revolução.  O fim último, para quem observa, é apenas a implantação do caso.

   Atribuir aos policiais brasileiros propriedades intrínsecas da delinqüência é de uma mendacidade sem igual.

   Tivesse esse país seriedade políticas e esse senhor não esquentaria a cadeira em que está por mais um minuto.

   Para completar, os jornais trazem as declarações de Paulo Lins, autor do romance que deu origem ao roteiro do filme "Cidade de Deus", sobre uma entrevista dada à revista "Caros Amigos".

   Ele diz que é compreensível que um sujeito que passe fome seqüestre e roube, é direito do sujeito dar tiro e matar.

   Se há um inimigo maior da civilização que o Sr. Soares, é esse aqui, um membro da classe pensante que homologa e instiga a negação dos valores maiores da tradição ocidental.  Depois de ver o filme e ler o romance de tão baixo nível, qualquer meliante sairá com a alma reconfortada, achando que, a cada vítima que faz, está apenas praticando justiça social.

   Não me espanto mais com tamanha estupidez.  Tornou-se repetitiva e banal.  O que realmente me espanta é que as pessoas que pensam e sabem o que acontece, os tais direitos, sabemos de quem... se omitam.  A mentira tomou áurea de verdade;  o sujo, o lugar do limpo;  o mal, o lugar do bem.  O que fazer?  Eu lhe digo, caro leitor:  resistir.  "A malícia não pode vencer a sabedoria".

 

 Dicas

adicione o Polícia e Segurança aos favoritos.

Clique aqui para assinar o Livro de visitas
Clique aqui para ler o Livro de visitas.
As idéias e opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores.
 

Web designer: Otálio Afonso