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TEM QUE SAIR ATIRANDO

Paulo Sant'Ana

        O escrivão de polícia Paulo Rogério Maciel, de 39 anos, que foi morto anteontem por um assaltante no interior de um táxi-lotação, no Partenon, deve ter incorrido num erro técnico.

        Por sinal, há uma portaria da Secretaria da Segurança Pública que, quando editada, se tornou polêmica: aconselha os policiais a proceder como o escrivão procedeu, identificando-se antes de agir com sua arma de fogo.

         Segundo as testemunhas e o noticiário, foi o que o escrivão Paulo Rogério fez, ele obedeceu rigorosamente à portaria: anunciou lá do fundo do lotação que era policial, quando viu que um casal estava cometendo um assalto aos passageiros.

        A seguir travou-se um tiroteio entre o assaltante cabeça-de-casal de criminosos e o escrivão. Foram 10 tiros, segundo a testemunha.

         Não havia qualquer dúvida para o escrivão: estava sendo cometido um assalto diante dos seus olhos.

        Então, não importava se ele era policial ou não, ele tinha que sair atirando no assaltante. Sem alertar o assaltante de que era policial.

        Esse é o tipo do caso em que a identidade do policial só tem de ser conhecida na delegacia de polícia, caso ele tenha matado o assaltante – ou no Instituto Médico Legal, no caso da morte do agente da lei.

        O escrivão Paulo Rogério deu a conhecer sua identidade ao assaltante antes de morrer, antes de começar a atirar, o que pinta um quadro com todas as verossimilhanças de que morreu exatamente por ter-se identificado. Pois não devia, afirmo.

        Este é o típico caso em que, ao contrário de outros, o policial não tem de identificar-se. Simplesmente porque não se trata de uma suspeita, mas de um crime em execução, em andamento.

         Quando o escrivão gritou para o assaltante que era policial, o bandido largou sua atenção de todos os passageiros, até do próprio assalto, e jogou-a exclusivamente para cima do policial.

        Sabendo que era policial, sabia então o assaltante que era dever do policial atacá-lo. Cumpria evitar isso, matando-o, imediatamente, inadiavelmente. O assaltante viu que estava diante de uma cobra criada. Mais que isso: estava diante de quem tinha o dever de agir. Era impositivo, pois, ao assaltante, não deixar o policial agir.

        O resto quem decide e acabou decidindo neste caso foi a destreza, a pontaria, o sangue-frio. E a sorte. E tudo foi decidido, lamentavelmente, em favor do assaltante.

         Restou mais um policial morto por assaltantes. Um escrivão de polícia que dignamente e corajosamente se colocou à frente das balas do assaltante para proteger os passageiros do lotação de um assalto.

        Se o escrivão Paulo Rogério não tivesse reagido, ficasse quieto no seu banco do lotação, nunca mais ele poderia se olhar no espelho. Porque ele tinha o dever ético e profissional de intervir.

        Eu só insisto convictamente num detalhe: se decidiu agir, tinha que agir contando com o elemento surpresa a seu favor, jamais gritando, como disseram unanimemente as testemunhas, que era policial.

        Há uma hora – e esta foi uma delas – em que a identidade do policial tem de surgir muito depois das balas do seu revólver.

        E a identidade do escrivão, fatalmente, surgiu antes de suas balas.

 

 

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