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“NO ÁPICE DA GLÓRIA”

Alberto Afonso Landa Camargo 

Não sei porque cargas d’água, de umas semanas para cá, tenho ouvido vários colegas da Brigada Militar fazerem alusões ao livro “No Ápice da Glória”, de Ismael O. Brilhante, dizendo que o seu conteúdo literário não convence sequer a uma criança. Um deles, por estes dias, chegou a perguntar-me se eu o tinha lido e gostado. Como respondi afirmativamente, deu-me as costas e pôs-se às gargalhadas acompanhado por outros que estavam consigo, dizendo que a minha idade mental não deveria ir além dos oito anos. Sem compreender, questionei o colega, tendo este referido que somente uma criança incapaz de entender a realidade das coisas, pode ver na obra algo de verdadeiro e de útil.

Como eu tive contato com a obra lá pelos anos oitenta quando era capitão, reli o livro na esperança de saber porque o novel crítico literário, após mais de duas décadas da sua edição, resolvera manifestar-se classificando-o como uma obra inútil e sem qualquer conteúdo aproveitável. Confesso que continuei gostando do que li, embora preocupado com a possibilidade de ser mentalmente um imbecil.

Alarmado, portanto, com o fato de que a Brigada Militar poderia ter nas suas fileiras um coronel imbecil, ou, quem sabe, numa avaliação mais favorável, com a mente de um débil, o que me obrigaria a pedir imediatamente a aposentadoria para dar lugar a pessoas de alta capacidade intelectual e cultural que seamontoam exclusivamente em um setor político da corporação, resolvi melhor interpretar o conteúdo do escrito.

Isto feito, não mudei minha opinião e continuei interpretando a obra como sendo de conteúdo histórico, eis que baseada em farta fonte documental e pessoal pesquisada pelo autor. Aliás, não é outra a interpretação dada por Dante de Laytano, renomado literato que dispensa apresentação e comentários, que prefaciou a obra e atesta o seu conteúdo de verdades históricas: “Ismael O. Brilhante escreve, portanto, um livro de história que lhe dá o direito de figurar entre os pesquisadores honestos, documentados e informativos.”

É claro que a obra, a par do seu inquestionável conteúdo histórico, agrega comentários do autor claramente feitos em linguagem poética e, por isto, compreensíveis os exageros lingüísticos que, absolutamente, não têm o dom de transformar em inverdades as fontes documentais históricas pesquisadas por ele. A linguagem poética é reconhecida no prefácio de Dante de Laytano: “...Brilhante põe em tudo que faz seu coração generoso de defensor firme das tradições nossas...esta obra que não tem precisão de palavras, as ganhou sim, estas mesmas linhas de introdução, para homenagear um idealista.” Uma simples leitura que não precisa ser muito atenta, permite reconhecer como perfeitamente separáveis os conteúdos históricos e poéticos da obra, não perdendo nenhum deles a importância no seu respectivo campo. Só não terá capacidade de compreender isto, algum poeta, quem sabe, frustrado por não conseguir levar à edição os seus versinhos.

Como está demonstrado o valor histórico e poético da obra, resta a possibilidade de que os colegas que comungam com a idéia de que Ismael O. Brilhante não foi capaz de escrevê-la para adultos, queiram segundo suas conveniências, desmistificar  os vultos da história passada para, quem sabe, substitui-los por outros da atualidade que venham a ser (se já não o são) adorados como verdadeiros messias da verdade e da redenção. Pior! Talvez queiram nos convencer de que tudo que já se contou acerca dos 162 anos de existência da Brigada Militar não passa de mentiras vulgares que precisam ser varridas dos compêndios históricos e da memória do povo rio-grandense, como se ao longo da sua vida, ela nunca tenha feito nada que preste. Feita esta substituição, bastará que sejam espalhados cartazes pelas cidades afora com as fotografias destes modernos heróis postas à adoração pública em meio a solenidades  acompanhadas por cansativos e inúteis discursos de duração nunca inferior a duas horas, assistidos pacientemente e sob calorosos aplausos pelos embasbacados adoradores das divindades. Só esperamos que esta euforia não seja capaz de erigir estátuas e muros separando irmãos, que certamente um dia serão derrubados pela lucidez do povo na ânsia de retomar a liberdade e a democracia.

Mas, felizmente, concluí, e aqui não sei se não foi num ato de autodefesa, que não sou um imbecil e que “No Ápice da Glória” possui valor histórico pelo seu relato fundamentado em pesquisas honestas e valor literário pelo seu inequívoco conteúdo poético.

Se eu estiver errado, não tenho outra alternativa a não ser consolar-me por não ter culpa da minha imbecilidade.

 

 

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