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PORQUE A ESQUERDA FINALMENTE CHEGA AO PODER

Alberto Afonso Landa Camargo

Doutrinariamente Karl Marx abordou diversos tipos de alienações. Cronologicamente, a primeira tratada foi a que denominou de alienação religiosa. Esta abordagem feita na sua tese de doutorado ele herdou de Ludwig Feuerbach para quem o único Deus do homem é o próprio homem. Para Marx é imperativo que a religião seja destruída para que o homem recupere a si mesmo. Afastar-se da religião, portanto, seria uma forma de libertação.

Jean-Paul Sartre disse que Deus é uma projeção do próprio homem, ou seja, como almeja ser perfeito e não consegue, projeta esse ser a que chama Deus como forma de compensar suas limitações. Pode-se dizer assim que aquilo que torna mais compreensível o projeto fundamental da realidade humana é que o homem é o ser que projeta Deus. Sejam quais forem os mitos e os ritos da religião considerada, Deus é sensível em primeiro lugar ao coração do homem como aquilo que o anuncia e define no seu projeto último e fundamental, escreveu Sartre na sua obra L’être et le néant (Paris, 1943, 708).

Antonio Gramsci na obra Maquiavel, a política e o estado moderno (Editora Civilização Brasileira, Rio de janeiro, 1984, 11), trata da educação política conforme supõe Maquiavel, dizendo Educação política não-negativa, dos que odeiam tiranos, como parecia entender Foscolo, mas positiva, de quem deve reconhecer como necessários determinados meios, mesmo se próprios dos tiranos, porque deseja determinados fins.

         O Brasil foi colonizado por povos que tinham seus fundamentos filosóficos em religiões que apregoavam a irrestrita entrega do homem a Deus. Desta forma, desde a nossa formação, trouxemos conosco a idéia de que não é possível desvincularmo-nos Dele. Esta alienação – alienação no dizer de Marx esclareço – tornou-nos um povo religioso e dependente da Divindade. Sob a influência de qualquer problema, a pessoa recorre a Ela acreditando que vá interferir no decurso da história. Formamo-nos um povo contemplativo que acredita que nem sempre é necessário esforço para atingir alguma coisa, bastando recorrer a Deus para consegui-la. Ao se dar conta de que Deus não interfere necessariamente nos fatos, a pessoa busca outras alternativas para conseguir o seu intento e, não raras vezes, esquece-O. Disto se aproveitam as ideologias que se dizem capazes de resolver as questões sociais e econômicas dos povos. O desencanto para com os que supõem capazes de atender suas aspirações é o combustível que movimenta o aparecimento de aproveitadores.

Nosso país vem tendo problemas há muitos anos. O povo vem amargando o descaso dos governantes, o que o tem tornado cada vez mais empobrecido e necessitado. Tendo recorrido a Deus sem obter respaldo e sido abandonado pelo desinteresse dos governos, natural que começasse a recorrer a outros setores na tentativa de buscar resolver seus problemas. Sem eco para as suas necessidades mais comezinhas, foi buscar a sublimação em outros setores que começavam a emergir e a se apresentar como capazes de conduzi-lo à felicidade. Ora, aí surgiram os novos messias intitulando-se os únicos capazes de atender todas as necessidades das pessoas levando-as irreversivelmente à felicidade geral.

O maior exemplo acontece atualmente na Argentina onde uma situação econômica fictícia e frágil fez as pessoas acreditarem que tal condição poderia mantê-las ricas e felizes para sempre. Sem bases sólidas de sustentação, ruiu o sistema e sobrou um sem número de desvalidos e miseráveis sem perspectivas de recuperação. O país cujo capitalismo só era próspero na aparência, que tinha um povo que pensava ser rico e onde não havia até pouco tempo condições para a ascensão das esquerdas, hoje se transformou em mais um lugar onde elas começam a obter cada vez mais receptividade. Culpa de quem? Do próprio capitalismo que não conseguiu superar as suas contradições e condena o povo ao desamparo.

Nem todo o capitalismo é igual ao dos Estados Unidos. Lá, mesmo as pessoas consideradas mais pobres têm acesso às necessidades básicas e até mais, não precisando prostituir-se em busca de novos salvadores. O pragmatismo americano faz com que a sua população continue a valorizar o seu sistema econômico porque este lhe oferece respostas às suas necessidades. Por isto as tendências ideológicas de esquerda não prosperam. O capitalismo latino-americano, ao contrário, tem-se demonstrado autofágico e vem, aos poucos, sendo destruído por suas próprias mazelas e contradições. Está parecendo que Marx tinha razão e, disto, as esquerdas se aproveitam para prosperar. Diferentemente dos Estados Unidos, a grande massa do povo latino-americano é pobre beirando à miserabilidade. Sem perspectivas de que Deus ou os governos que se vêm sucedendo atendam seus reclames, busca alternativas nos novos messias que oferecem o paraíso - agora localizado na terra - e a salvação eterna. Apresentando-se como capazes de resolver todos os problemas que assolam as pessoas, se aproveitam da volubilidade popular.

Outro passo importante dado pelas esquerdas e, sem dúvidas, o mais significativo, foi a doutrinação pela educação conforme os ensinamentos de Antonio Gramsci. Há muitos anos nossas escolas, em todos os níveis, vêm sendo tomadas por educadores que professam a linha marxista. Os adultos de hoje já foram formados de acordo com este meio de doutrinação desconsiderado pelos regimes anteriores, inclusive o dito regime militar que só se preocupava em combater guerrilheiros urbanos e rurais com violência acreditando que a tomada do poder ou a sua manutenção só tinham a via das armas. Assim, enquanto os militares combatiam guerrilheiros que nada mais eram do que massa de manobra utilizada para despistar as verdadeiras intenções da esquerda, esta, pelos seus intelectuais e mediante um planejamento bem encaminhado, ocupava as escolas e formava o pensamento hoje dominante no Brasil. Aliás, foi no Rio Grande do Sul onde o governo do Estado é marxista ortodoxo que a oposição, recentemente, aprovou por unanimidade a criação de uma Universidade Estadual onde a doutrinação marxista já se faz presente com mais intensidade. Ou seja, os críticos e combatentes do marxismo, paradoxalmente, ajudam a criar condições para que a doutrinação de esquerda seja cada vez mais consolidada, tornando irreversível a tomada do poder por vias legais - pelas urnas – pelo socialismo que se alia a Cháves e Castro. É isto, pelo menos, o que se prenuncia atualmente, eis que não se visualiza possibilidade de mudanças do quadro eleitoral sucessório no Brasil.

A esquerda chegar ao poder é só uma questão de tempo. Se não ocorrer nestas eleições, ocorrerá nas próximas. Os ventos por enquanto, são muito propícios para isto.

As perdas impostas às esquerdas no Leste europeu, portanto, estão sendo recuperadas aqui na América Latina com o incentivo dos desencontros e desencantos do próprio capitalismo que não está sabendo ser competente para satisfazer as necessidades de povos a cada dia mais arbitrariamente empurrados à pobreza e ao abandono.

Para mudar esta tendência seria necessária a adoção de algumas medidas urgentes e impositivas. Como se sabe, enquanto as esquerdas sempre agem organizadamente, as oposições ao marxismo, além de pífias, são desorganizadas e cada uma age individualmente conforme suas interpretações da realidade e, na maioria das vezes, priorizando interesses pessoais e particulares. O primeiro passo, assim, deverá ser a organização dos que combatem o marxismo para que elaborem e definam um planejamento organizado de ações capazes de neutralizar o seu avanço. O segundo passo será criar condições para que os latino-americanos se aproximem das condições sócio-econômicas dos norte-americanos encontrando saídas para o enfrentamento das desigualdades sociais que cada vez mais se acentuam. O terceiro passo será encontrar nos próprios pensadores que hoje norteiam os procedimentos das esquerdas os antídotos para neutralizá-las. O quarto passo será inverter a tendência educacional das pessoas nas escolas, criando e formando educadores que contraponham o que vem sendo ensinado hoje em forma de doutrinação a crianças e adultos.

Por fim, da mesma forma que, no passado, os marxistas começaram inteligentemente a preparar a geração de hoje para aceitá-los, a sua oposição deve preparar as gerações futuras para repudiá-los. Isto se quiser continuar competindo.

 

 

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