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O ALIENADO 

Alberto Afonso Landa Camargo 

Sempre tive preocupações com posturas adotadas por algumas pessoas que se demonstram incapazes de reagir mesmo contra aquelas coisas que lhes afetam negativamente. Nunca entendia, até alguns tempos passados, por que razões em um mundo globalizado onde tanto se difundem as liberdades e enaltecem-se as igualdades e alteridade, capazes de levar o homem à transcendência, alguém ainda aceita a escravidão comportando-se passivamente frente aos desafios do mundo. Não compreendia, até então, as estranhas nuanças que levam algumas pessoas a afastarem-se da realidade tornando-a estranha a si e permitindo que a sua essência humana firme-se como algo exterior exercendo uma forma de dominação hostil, que aceitam sem reagir.

Foi por não entender certas posturas pessoais que procurei aprofundar-me no estudo de alguns filósofos. Encontrei em Hegel, mais precisamente na sua Fenomenologia do espírito (1807), explicações plausíveis a justificar razões que levam alguns à negação da própria consciência. A isto Hegel chamou de alienação (entäusserung).

Não satisfeito com as leituras de Hegel, fui mais adiante e encontrei um crítico seu, Feuerbach, que também tratou da alienação. Até porque aprendi com aquele que só posso chegar ao conhecimento depois de confrontar teses e antíteses. Fiquei sabendo que Feuerbach, ao fazer a crítica a Hegel, concluiu que este fez da filosofia uma mera variável da teologia e, tal como esta, passível de desconfianças porque faz das determinações do homem, determinações divinas. Isto é, o homem encolhe-se às religiões e acaba projetando um ser em que ele próprio almeja transformar-se.

Ainda não satisfeito, fui buscar um outro autor, veementemente contestado em alguns meios, e encontrei Marx - que para alguns soa como um pecado mortal a sua mera citação. Ainda na sua juventude, mais precisamente no conjunto de suas anotações, que ficaram conhecidas como Manuscritos Econômico-Filosóficos e, depois, já na plena maturidade, em Crítica da Economia Política (1859) e em O capital (1867, 1884 e 1894), ele acabou demonstrando que Feurbach estava no caminho certo, pelo menos quanto aos seus conceitos. Só que Marx foi além e concluiu que, embora a crítica parta da religião, deve transcendê-la à sua origem. E foi assim que na Miséria da filosofia Marx acabou confrontando-se com a miséria real, concluindo que a religião, ao mesmo tempo, é a sua expressão e protesto.

E assim, depois de tudo isto, finalmente pude entender as razões que fazem algumas pessoas optarem pela escravidão alienando-se e, por esta simples razão, abdicam da sua capacidade de enfrentar os desafios do mundo. Transformam-se, ausente que está a criticidade, ou seja, a capacidade de julgar, interpretar e justificar, em seres incapazes de responder aos desafios do mundo. Desconhecem a marca da liberdade tendo apenas singelas respostas reflexivas, uniformes e padronizadas frente aos estímulos emitidos pelo que o rodeia.

De Hegel tirei a certeza de que tais pessoas fazem de alguns fatos a sua religião e são incapazes de avaliá-los criticamente, encasulando-se nos seus dogmas sem se abrirem para a realidade; de Feurbach tirei a certeza de que tais pessoas projetam nos seus líderes a deificação que um dia almejam alcançar; de Marx tirei a certeza de que a crítica é necessária e imperativa e que dela abdicar fere as liberdades e pisoteia na alteridade.

E de algumas pessoas tirei a certeza de que a alienação realmente existe e é palpável...

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